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A grife Wessel, famosa por suas carnes e hambúrgueres, chegou agora às salsichas. Elas desembarcaram nos supermercados – inicialmente apenas na rede Pão de Açúcar – há duas semanas. Em poucos dias, foram vendidas 15 toneladas de seus quatro tipos: viena, frankfurt, alho e branca. Istvan Wessel é da quarta geração de uma família de açougueiros húngaros. Chegou a São Paulo em 8 de fevereiro de 1957, aos 10 anos. Quando começou a Segunda Guerra Mundial, o pai, László, foi parar num campo de concentração em Mauthausen, na Áustria, e só não morreu porque mostrou ter habilidade como açougueiro. Com o fim da guerra, László voltou para o comércio de carnes. Em 1956, os húngaros iniciaram uma revolução contra o domínio soviético. László pegou a família e fugiu para Viena, na Áustria. Um mês depois, embarcou no navio Provence com destino a Santos (SP). László não falava nada em português e foi admitido como desossador no frigorífico Menegon, na Rua Rio Grande, na Vila Mariana. Ele abriu o primeiro açougue próprio em 1958, na Rua Manoel Dutra, na Bela Vista, numa região em que a concorrência era bastante grande. Istvan Wessel conversou com o “São Paulo para Curiosos” sobre as salsichas:

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Quando começou a tradição da família de fazer salsichas?

Na embalagem, colocamos uma foto de 1934, num festival gastronômico, na cidade de Tata, a oeste de Budapeste, no caminho para a Áustria. Nessa foto, dá para ver uma placa que diz: “Wessel Virsli”, que significa Salsichas Wessel. Meu bisavô abriu o primeiro açougue da cidade, em 1830, e usava a carne que não vendia para fazer salsichas e linguiças, que eram muito apreciadas. Meu pai também aparece na foto.  É o único de óculos, aos 18 anos.

A família desembarcou no Brasil em 1957. Alguém já fabricava salsichas por aqui?

Sim. O principal fabricante era o Frigor Eder – Salsichas Santo Amaro. Os fundadores foram os alemães Alexandre Eder e Max Satzke, em 1923. A fábrica era em Santo Amaro, hoje bairro, mas naquele tempo município, que tinha uma grande colônia alemã, interessada nesses frios e embutidos. De um modo geral as salsichas eram melhores que hoje.

Você já tinha feito salsichas antes?

Trabalhei em 1969 em Munique, na Alemanha, em uma fábrica de salsichas, pois meu pai sempre quis fazê-las aqui no Brasil. Chegamos a comprar um terreno às margens da Raposo Tavares, mas não conseguimos juntar os recursos financeiros e tecnológicos para a empreitada.

A salsicha é considerada uma “comida barata”. Mas as salsichas gourmet não são tão em conta assim? O que elas têm de diferente?

A grande diferença é a matéria-prima. As salsichas baratas têm em sua composição CMS de frango – isso está declarado no rótulo. “CMS” significa carne mecanicamente separada, ou seja tudo o que sobra do frango. Não faz mal para a saúde, mas compromete a textura.

Nossas salsichas gourmet levam carne bovina e carne suína na composição. Por que nós não fazemos no Brasil a salsicha 100% carne bovina, como nos Estados Unidos?

A salsicha de carne bovina foi criada por uma rede de fast-food chamada Nathan’s. Eles fizeram para atender a grande demanda das colônias judaica e árabe. No Brasil, também é possível encontrar a salsicha kasher, mas em pequena quantidade. É uma boa ideia para lançarmos no futuro.

Para saber mais sobre Istvan Wessel, clique aqui.

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