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A banda de rock Velhas Virgens surgiu em 1986 “para se divertir, beber de graça e pegar a mulherada”, como conta o vocalista Paulão. Com letras que passam longe do politicamente correto, o grupo chegou à marca de onze CDs e três DVDs gravados. A banda, formada também por Cavalo (guitarra), Tuca Paiva (baixo), Roy Carlini (guitarra), Simon Brow (bateria) e Juliana Kosso (vocais), tem muitas músicas que falam sobre bebida, como “De bar em bar”, “Turnê do Chopp” e “Vamos beber”. Essa foi uma das razões para criar um produto especial em 2011, ano em que o grupo completa 25 anos: a cerveja Indie Rockin’ Beer Velhas Virgens, com lançamento previsto para acontecer até novembro. A bebida, no estilo India Pale Ale (IPA, cerveja de alta fermentação), foi desenvolvida pelo cervejeiro Reynaldo Fogagnolli. Até 2013, eles planejam lançar mais duas cervejas. Também nas comemorações de boda de prata, Paulão lançou o livro “Na Terra das Mulheres Sem Bunda”. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Paulão falou sobre a nova bebida e a trajetória da Velhas Virgens.

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A ideia de lançar uma cerveja da Velhas Virgens nasceu numa mesa de bar?
A gente fala muito disso nas músicas: boemia, bebedeira e farra. E sempre tocamos no assunto da cerveja. Quando a lançamos o nosso primeiro disco, em 1995, até fizemos um rótulo e colamos em garrafas de cerveja normais para fazer divulgação. Então, é uma ideia que já existe há muito tempo. Nós temos amizade com o Reynaldo Fogagnolli. A gente conversou com ele e calhou de tudo dar certo.

Como vai ser a primeira cerveja Velhas Virgens?
A nossa intenção é lançar uma cerveja com um sabor diferente. Muita gente está dizendo que existe harmonização de cerveja com alimentos. A nossa cerveja harmoniza com mais cerveja. É para beber e se divertir. A cerveja é uma bebida descompromissada, e as pessoas estão querendo transformá-la em vinho. A gente quer recuperar a coisa da bebida divertida.

Já tem slogan?
Sim. Um deles é esse mesmo: “a cerveja que combina com mais cerveja”. O outro é: “beba em alto volume”.

A cerveja Devassa contratou a Sandy como garota-propaganda. Quem será a estrela dos anúncios da cerveja da Velhas Virgens?
Estamos programando vídeos virais com o Cavalo, o Tuca e eu ao lado de uma panela, como se estivéssemos fazendo a cerveja. Vamos jogar algumas coisas malucas, como o sapato do Elvis Presley. Mas, se tivesse que escolher alguma garota-propaganda, poderia ser a Amy Winehouse, que bebe de verdade. A Sandy não convence ninguém. Poderia ser também a Juliana, a nossa vocalista. A Ângela Ro Ro também seria ideal. Ela gosta de bebida, e teria que ser uma pessoa iniciada.

Como foram os testes para aprovar a cerveja?
A cerveja é uma bebida muito diferente do vinho, por exemplo, porque você pode temperar com o que quiser. Existe uma forma básica, clássica, mas você pode acrescentar ingredientes para dar o seu sabor. Por gostar de cerveja, a gente consome vários tipos de IPA. A gente sentou na fábrica do Reynaldo, experimentamos algumas e decidimos. Na primeira prova, a gente achou que carecia de um pouco mais de corpo, amargor. Nós fizemos um lançamento na Beer Experience [festival de cervejas especiais que aconteceu em São Paulo no último dia 20], e as pessoas gostaram. Mas a definitiva vai sair com um pouco mais de corpo.

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Vocês tomaram muita cerveja até chegar no resultado final?
Ah, a gente adora experimentar! Ficaram com medo que o pessoal não gostasse no Beer Experience, mas a gente avisou: “se não gostarem, a gente bebe o prejuízo!”

O que falta para o lançamento?
Falta só o registro no Ministério da Agricultura. A gente está bem animado. Não estamos emprestando o nome da banda pra uma cervejaria, a gente realmente é o produtor. Estou achando que, com a cerveja, vamos conseguir fazer sucesso – já que, com a banda, não fizemos tanto (risos). Nem todo mundo gosta de rock. Mas a cerveja até pagodeiro vai tomar.

O que você tem para brindar nesses 25 anos da banda?
As pessoas começam uma banda achando que vão ficar famosas e ricas. A gente começou sem a menor pretensão, e o fato de comemorar 25 anos é uma coisa inacreditável. A gente queria mais era se divertir, beber de graça e pegar a mulherada. Bom, acho que deu certo, porque hoje está todo mundo casado. Se bem que, no fim, a mulherada que pegou a gente… Bom, quando a gente começou, em 1986, o rock estava em alta. Tinha o Legião Urbana com letras mais filosóficas, por exemplo. A gente até pensou em falar de algo mais cabeça, mas tínhamos que falar de alguma coisa que a gente entendesse. No caso, era a boemia. A gente nunca teve a pretensão de que isso virasse um ganha-pão. Hoje, todo mundo tem seus trabalhos paralelos, mas até daria [para viver de música]. Mas teria que parar de beber tanta cerveja refinada… É muito caro.

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(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de divulgação)

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