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“Boca de Fogo” é um termo usado para se referir a  armas de guerra, como canhões. No entanto, neste caso, o nome foi dado a uma cerveja artesanal. A Red Ale foi feita na cozinha do apartamento de 60 m² em que mora o casal Marcio Luciano de Araujo e Priscila Oliveira. Araujo batizou de “Boca de Fogo” a  sua criação – a quarta cerveja diferente que produz – porque é militar (ele trabalha em uma comissão regional de obras do Exército).

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Fazer cerveja em casa é um hobby que vem crescendo nos últimos anos. Para fortalecer esta cultura, a Cervejaria Nacional proclamou novembro o “Mês da Cerveja Caseira”. O primeiro evento desse calendário foi o Dia do Escambo, que aconteceu na segunda-feira passada, dia 12, e reuniu cervejeiros artesanais. Como entrada, a moeda era uma garrafa de cerveja de produção própria.

A maior parte dos visitantes não levou apenas uma garrafa.  Os amigos Alexandre Zanoto, Breno Marques, Rogério Whately e Alan Matias trouxeram 17 garrafas da marca amadora “Madalena”. Foram três tipos diferentes de cerveja: Red Ale, Indian Pale Ale e American Pale Ale. O grupo começou a fazer cerveja há um ano, depois de  participar de um curso sobre a produção caseira. Desde então, os quatro gastaram cerca de 5 mil reais em equipamentos. Zanoto fez  uma reforma na edícula de casa para montar uma cozinha dedicada ao hobby. Em uma das tentativas de produzir a bebida, o fermentador começou a vazar, espalhando líquido por todo lado. “E eu fiquei com medo de abrir aquilo e estragar o produto”, conta. Os gastos são altos porque os ingredientes precisam ser importados. “Apenas a água que usamos é brasileira”, diz Zanoto.

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Isto acontece porque os insumos utilizados não são facilmente encontrados em território nacional. “O Brasil planta cevada, mas só produz malte do tipo Pilsen”, afirma Rodrigo Louro, sócio da Sinnatrah Cervejaria-Escola. “E o lúpulo não é plantado aqui  por causa do clima.” Louro foi ao evento acompanhado do sócio Luís Marcelo Nascimento.

Outro sócio da Sinnatrah é Alexandre Sigolo, mestre cervejeiro da Cervejaria Nacional. Foi dele a ideia de realizar o evento no local. “No interior, é comum haver este tipo de encontro, mas por aqui é mais raro”, afirma. As garrafas de cerveja são abertas e o conteúdo é espalhado pelos copos de todos os presentes. Os produtores comentam o que gostaram no trabalho dos colegas e indicam o que poderia melhorar.

No caso da “Amazebock”, cerveja do tipo Bock produzida pelo publicitário Tomaz Santo e pelo engenheiro Stuart Blackaby, Sigolo experimentou um copo e elogiou o produto. “Mas faltou um pouco de fermento”, afirma. Um dos erros mais comuns dos cervejeiros iniciantes, de acordo com Sigolo, é a pressa em conferir o resultado do trabalho. “Tenho um amigo que era ansioso e sempre tomava a cerveja antes da hora certa”, conta. “Ele desenvolveu o hábito de enterrar as garrafas para não cair na tentação de abri-las antes do tempo.”

Monica Ferreira, Reginaldo Castilho e Marcelo Buscariollo têm planos ambiciosos para suas cervejas. Pretendem inaugurar, até 2014, a Cervejaria Olímpica, na região do ABC. “Vai ser um ambiente com cursos e degustação de cervejas artesanais”, conta Monica. O grupo trouxe para o Dia do Escambo uma cerveja feita com polpa de morango e com baixo teor alcoólico – cerca de 3%.

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Outra inovação mostrada no evento foi uma adaptação construída por Frederico Ming Azevedo. Em uma tampa de garrafa PET, ele acoplou uma válvula de bicicleta, o que permite que o processo de carbonatação aconteça rapidamente. “Essa invenção, utilizada com amostras, permite ver em pouco tempo como a produção final de uma receita ficará”, afirma.

Ming descobriu as cervejas artesanais há três anos, na Europa. A dedicação ao hobby rendeu à sua “Oatmeal Stout” o primeiro lugar no III Concurso Estadual de Cervejeiros Caseiros, promovido pela Associação dos Cervejeiros Artesanais de São Paulo (Acerva Paulista).

Para comemorar o prêmio, Ming reproduziu a receita campeã na Cervejaria Nacional. Foram produzidos 500 litros, que serão servidos na festa de premiação do concurso, no dia 25. Depois, o que sobrar da bebida será servido na casa como cerveja sazonal (R$ 15,90, 550mL, ou R$ 10,90, 320 mL).

Serviço:
Festa de Premiação do III Concurso Estadual de Cervejeiros Caseiros
Cervejaria Nacional – Av. Pedroso de Morais, 604, Pinheiros, 3628-5000
25/11 – 15h/21h
R$ 70

(Com colaboração de Míriam Castro e fotos de Lucas Terribili/Divulgação)

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