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O Instituto Cultural Italo-brasileiro, na Bela Vista, ganhou uma cafeteria especializada em canolis (doce italiano típico da Sicília). A Cannoleria, que vende doces italianos sob encomenda, está fazendo sua primeira experiência como loja aberta ao público. Por um mês, a casa vai atender no ICIB das 15h às 21h, mas o proprietário, o cozinheiro Alexandre Leggieri, 40 anos, já estuda estender o horário de funcionamento no próximo mês. A cafeteria conta com seis tipos de canolis: o tradicional (ricota com frutas cristalizadas, pistache e cereja), ítalo-mineiro (com goiabada cascão e damasco), Nutella, ítalo-americano (com creme de amendoim), crema pasticcera e o recém criado ítalo-argentino (com doce de leite e lascas de amêndoa). Filho de italianos, Leggieri conta que, embora o canoli seja um doce típico da Itália, é mais consumido nos Estados Unidos. No ano passado, ele percebeu que poderia fazer sucesso também em São Paulo. Na cafeteria, Leggieri conta com a ajuda do barista e sommelier Herbert Biewagen.

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Você gosta tanto assim de canolis para ter se especializado nisso?
Sou filho de italianos e sempre fui apaixonado pela cozinha italiana. Eu já fazia canolis quando trabalhava na Europa. Comecei a fazer aqui no ano passado para atender alguns eventos. Tenho uma cozinha industrial na parte de baixo da minha casa, na Vila Mariana. Só que, na verdade, a massa fresca artesanal é que era o meu carro-chefe. O canoli seria só um complemento. Mas percebi que existe em São Paulo uma carência de doces rústicos, simples, para comer com a mão. As pessoas começaram a pedir… Agora, já não tenho mais tempo para as massas. Só faço canoli.

É uma receita familiar?
Sim. Minha avó, Pascoalina Peduto Leggieri, chegou aqui na década de 40 e trouxe a receita dela. Fiz algumas modificações. Ela usava banha, por exemplo. Hoje, eu misturo um pouco de manteiga para dar uma amendoada na massa. A fritura que ela fazia também era muito rudimentar. Bem, na família, o pessoal costuma ser simpático e dizer que o meu fica igual ao da nona.

Como surgiu a oportunidade de abrir a cafeteria no ICIB?
Tenho uma relação muito boa com o instituto, é uma casa maravilhosa. Tem cinema que passa filmes da Itália, palestras, aulas de italiano… Eles acharam que seria interessante fazer essa parceria e deu certo. Produzo as cascas em casa e os recheios, na cafeteria. Estou numa correria imensa. Estamos querendo otimizar a cafeteria, mas temos um problema de mão-de-obra. Na cafeteria, somos só o Herbert e eu. Estamos com o horário reduzido para conseguir atenção. Já tivemos uma pessoa, mas ela era muito grande e o espaço é pequeno.

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Você já pensa em levar seus canolis para um lugar maior?
Não sei… A nossa proposta é caseira mesmo. Somos pequenos, uma coisa bem simples. Tem bandeirinhas e quadros da Itália. Continuo seguindo a simplicidade que conheci em pequenas vielas da Itália, com meus parentes. Não é um serviço de excelência, de luxo. É como se a pessoa estivesse em um cortiço napolitano.

Serviço:
Cannoleria, Instituto Cultural Italo-brasileiro.
R. Frei Caneca, 1.071, 15h/21h, 5081-3088.
Canoli – R$ 4,50 (a unidade).
www.cannoleria.com

(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de divulgação)

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