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“É no passado da escova/é no batido do pano…”. Antonio Acássio Martins, o “Toninho Sertanejo”, vai cantarolando, enquanto engraxa sapatos na cadeira número 13 da Praça da Sé com a Barão de Barão de Paranapiacaba. Todas as músicas foram compostas por ele e estão num CD, que ele oferece aos clientes no final do trabalho. “Quase todos os dias eu vendo pelo menos um aqui na Praça”, afirma. O preço do CD Toninho Sertanejo e Seu Teclado é de R$ 10. Há quase um ano, 500 discos foram lançados nas lojas, e outros 500 ficaram com Antonio. Além de cantor de forró, ele também toca sanfona e teclado. Cobrando R$ 5 por engraxada, ele calcula tirar R$ 500 por mês. Complementa a renda com as aulas de música (cujas apostilas ele mesmo escreveu) que dá em sua casa aos fins de semana, além de apresentações em festas de forró. “Dá pra manter meu sobrado em São Miguel Paulista, que tem até carro na garagem”, diz. “Graças a Deus, tenho uma vida boa”. Antonio, 60 anos, é mineiro de Brás Pires, cidade que tem 2 mil habitantes. Há 20 anos, mudou-se para São Paulo para trabalhar como engraxate. “Pretendo largar a graxa para viver só de música, que está compensando mais”, sonha. “Na verdade, eu só venho engraxar pra não ficar à toa em casa”.

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Batido do pano
(Toninho Sertanejo)

É no passado da escova,
É no batido do pano
E a gente vai passando
E o brilho vai chegando
E o freguês vai gostando,
no passado da escova e no batido do pano
É em São Paulo
É na Praça da Sé
Na esquina com a Barão
Tinha dia que o dinheiro
Só dava para o pão
É em São Paulo
É na Praça da Sé
Em frente ao número 88
Tinha dia que o almoço
era meio pacote de biscoito
Comecei a minha vida
trabalhando de engraxate
Tinha dia que eu jantava
um pãozinho com chá mate
Eu era um garoto
de apenas quinze anos
Mas já tinha o dedo calejado
do batido do pano

(Com colaboração e foto de Karina Trevizan/AE)

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