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Fui várias vezes a uma loja de artesanato chamada Feira Moderna, na Rua Fradique Coutinho, Vila Madalena, atraído pelos sorvetes da marca Cairu, de Belém do Pará, vendidos na cafeteria que ficava nos fundos. Os sorvetes de tapioca e de castanha-do-pará  eram extraordinários. E isso muito antes de o site “Trip Advisor” eleger a cinquentona Cairu como a melhor sorveteria do Brasil.

Domingo passado, circulando pela Feira de Artesanato do bairro da Pompeia, encontrei os gelados da Sorveteria Sabor da Cor, que me fizeram lembrar da Cairu. Os da sorveteria paraense são melhores, mas deu para matar um pouco da saudade. Carimbó, murici, bacuri, graviola, jaca, siriguela, cupuaçu e tamarindo são alguns dos sabores preparados pelo casal paulista Edson Soares, 47 anos, e Silmara Almeida, 49.

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O casal Edson Soares e Silmara Almeida, proprietários da Sorveteria Sabor da Cor

Cinco anos atrás, entusiasmado com um convite feito pela cunhada, que produz sorvetes artesanais no interior de São Paulo, Edson resolveu aprender as técnicas. “Meu avô, há quarenta anos, fazia sorvetes também”, conta ele. “Quando disse que ia começar no ramo, meus amigos acharam  que eu estava ficando louco, já que existem muitas sorveterias na cidade. Mas a minha ideia sempre foi seguir uma linha diferente”.

Com o slogan “Sabores da nossa Terra”, a Sabor da Cor se especializou em frutas da Amazônia. No ano passado, Edson e Silmara ficaram uma semana em Belém do Pará para estudar as receitas dos “sorvetes exóticos”, como gostam de chamar. “Passamos sete dias visitando todas as sorveterias da cidade”, exagera ele. “Tomávamos sorvete no café da manhã, no almoço e no jantar”.

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O cardápio da sorveteria varia entre os sabores tradicionais e os exóticos

Foi também nessa visita à capital paraense que eles conseguiram um fornecedor de matéria-prima. A polpa das frutas vem congelada e demora três dias para chegar em São Paulo. “Era difícil conseguir um sabor semelhante com o de lá se não tínhamos a mesma base”, comenta. “Por exemplo: aqui temos açaí, mas não com o mesmo sabor e a mesma qualidade de lá”.

A sorveteria também conta com sabores tradicionais, como chocolate, baunilha e morango, mas Edson garante que eles estão saindo cada vez menos. “Sempre fazemos o sabor tradicional focando no gosto das crianças. Mas até elas estão deixando isso de lado para provar essas diferentes frutas”, diz Edson. Das receitas nortistas, o sorvete de tapioca é o campeão dos campeões.  O Mestiço, que mistura tapioca e açaí, tem uma grande legião de fãs. Mas outros dois com nomes de doces típicos da região estão entre os preferidos: Quim Barbosa (chocolate amargo, chocolate branco, castanha de caju e passas ao rum) e Maria Isabel, em versão adaptada por Edson (castanha do pará, pão-de-ló, chocolate granulado e doce de cupuaçu, no lugar de doce de bacuri). O plano para o futuro é ampliar a variedade de sabores, focando em outras regiões do Brasil. Edson e Silmara já estão estudando as frutas do cerrado.

Na acanhada sorveteria, o sorvete é vendido por quilo (R$39) e também em picolés, apelidados de “paletinhas brasileiras” (R$3). Além do endereço fixo, na região da Penha, a Sabores da Cor costuma participar de feiras gastronômicas. “Além de ajudar a divulgar a identidade da nossa marca, as feiras incentivam as pessoas a tomarem sorvete no frio”, explica Edson. Nas feiras, o sorvete é vendido por bola (R$10) e os picolés custam R$5.

Serviço:
Sorveteria Sabor da Cor
Avenida Tarumã, 387, Vila Pierina
Outono/inverno: ter. a dom., 12h/18h; primavera/verão: todos os dias, 10h/22h
Tel.: 2682-3826

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