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O Carnaval ainda está longe, mas as escolas de samba de São Paulo já estão trabalhando nos desfiles de 2018. A maioria das agremiações já está em processo de escolha dos seus sambas-enredo oficiais – cinco das 14 do Grupo Especial já definiram os seus. Essa fase das chamadas “disputas de samba” mobiliza compositores da cidade e de fora dela na maioria das escolas. Em alguns casos, a disputa é tão acirrada que não ganha só um. A chamada “junção” implica em pegar trechos de sambas diferentes e formar um novo. Foi o que aconteceu ontem na Unidos do Peruche, que seria a sexta escola a anunciar o seu hino em um evento em sua quadra, na Casa Verde. Se não é inédita, a junção da Peruche quebra um recorde: pela primeira vez um samba-enredo terá 25 compositores.

Duas das 12 composições inscritas no concurso chegaram à final. Em comum a todas elas, o tema “Peruche celebra Martinho – 80 anos do Dikamba da Vila”, uma homenagem ao cantor Martinho da Vila. Cada samba se apresentou por aproximadamente 20 minutos e, na hora do resultado, uma surpresa: houve um empate na votação. O presidente Ney de Moraes optou por não dar o voto de Minerva e a solução, então, foi juntar trechos das duas composições para formar o samba oficial. Como a escola não estava preparada para o empate, os trechos utilizados ainda não foram definidos e o resultado final será apresentado na quadra no próximo domingo.

Enredo em homenagem à Martinho da Vila inspirou 12 composições

A fusão entre os sambas 8 e 10 deixará o samba da Unidos do Peruche com 25 compositores e o transformará no samba-enredo com o maior número de autores na história do Carnaval brasileiro. O recorde anterior já era paulistano: em 2010, a Leandro de Itaquera juntou trechos de três sambas e levou para o Anhembi uma música com 18 autores.

De alguns anos para cá, as parcerias de compositores de samba-enredo cresceram e frequentemente ultrapassaram a marca dos 10 compositores. Como os custos com a gravação em estúdio, com os músicos contratados e com os ingressos para a torcida que apóia o samba na quadra são altos, o valor precisa ser “rachado” em um número grande de parceiros, ainda que nem todos componham o samba.

Apresentação de uma das músicas vencedoras no concurso da Unidos do Peruche durante a final na quadra

“Precisa ter quem entenda de letra, de melodia, quem tenha experiência, quem saiba lidar com as pessoas, quem faça o samba ser aceito na quadra, quem conheça o ambiente… É natural. São essas pessoas que mantém o gênero vivo na sociedade”, pontua Luis Butti, um dos 15 compositores de uma das parcerias vencedoras. Ele garante não ter ficado nem um pouco chateado com o empate: “Vai ser meu primeiro samba no Grupo Especial. Se entrar só uma linha eu já estou feliz”, diz ele, que desembolsou cerca de 2 mil reais ao longo de um mês de competição.

Atualmente, quando há apresentação nas quadras das escolas, dificilmente se emplaca um samba no Grupo Especial de São Paulo investindo menos de 20 mil reais. No ano passado, um samba de uma escola que ficou entre as cinco primeiras colocadas e voltou ao desfile das campeãs rendeu 55 mil reais em direitos autorais aos compositores.

(Com reportagem de Leonardo Dahi)

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