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Até abril de 2016, o Conselho Nacional de Refugiados registrou a presença de 8.863 refugiados no Brasil, vindos de 79 nacionalidades diferentes. Em 2015, foram 28.670 pedidos de refúgio em terras brasileiras, em meio a crise que culminou na explosão dos números de imigrantes, especialmente sírios, em todo o mundo (a título de comparação, em 2010 foram apenas 966 solicitações).

Os que conseguem vir ao Brasil acabam buscando aqui um recomeço. Desempenham as mais diversas atividades e dentre elas está a gastronomia. Conhecida por abrigar restaurantes típicos de vários cantos do mundo, São Paulo agora tem também endereços criados por refugiados que oferecem comidas típicas das regiões das quais vieram. O São Paulo para Curiosos separou um roteiro com dez estabelecimentos.

Miniesfihas do Talal, um dos mais bem-sucedidos restaurantes de refugiados em São Paulo (Foto: Divulgação)

Talal Culinária Síria
Engenheiro de formação, o sírio Talal Al-tinawi chegou à capital paulista em dezembro de 2013. Sem conseguir trabalhar em sua profissão de origem, ele passou a vender quitutes sírios para ganhar a vida ao lado da mulher, Ghazal Baranbo. O casal fez sucesso e a clientela se uniu em um projeto de crowdfunding (a popular “vaquinha virtual”) para que se tornasse um restaurante. Deu certo. Em um pequeno espaço foi aberto o Talal, no Jardim das Acácias, zona sul.

O espaço conta com pratos típicos como tabules, esfihas, quibes e charutos. Há também um bufê aos domingos com direito a churrasco sírio. As sobremesas também carregam as tradições sírias como o halawi, um doce de gergelim, e o baluzeh, à base de laranja. Entre as bebidas, destaque para a limonada, o chá e o café locais. A casa oferece um serviço de delivery por telefone, Whatsapp ou até mesmo mensagens inbox no Facebook.

Talal Culinária Síria: Rua das Margaridas, 59, Jardim das Acácias. Telefone: 3360-2595. Pedidos por Whatsapp: 96622-1305. Horário de funcionamento: de terça a domingo das 7h às 22h.

Muradi Cozinha Árabe
A família Muradi veio diretamente de Damasco, capital da Síria, para São Paulo, onde abriu um restaurante num pequeno vilarejo sírio em Santana, zona norte da cidade. Na rua apertada há o salão onde a família ergueu o Muradi Cozinha Árabe em 23 de setembro de 2014. Com uma estrutura modesta, os pratos mais famosos como a esfiha e o quibe aparecem com destaque. A casa, porém, investe também em uma culinária árabe sofisticada, com pratos como a kafta de forno. Molhos especiais e doces completam o cardápio. O local oferece serviço de delivery e também funciona como uma tabacaria.

Muradi Cozinha Árabe: Rua Salete, 243, Santana. Telefone: 96600-1088. Horário de funcionamento: de segunda a sábado (exceto sexta) das 12h às 20h. Sexta das 16h às 20h.

Al Janiah

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Em um espaço razoavelmente grande no centro da cidade funciona o Al Janiah. Inaugurado por Hassan Zarif, filho de imigrantes palestinos que se refugiaram em São Paulo, em janeiro deste ano, o local se diferencia dos demais pelo aspecto mais badalado e menos familiar. Além dos pratos e bebidas típicas, o local pretende integrar os vários palestinos que vivem na cidade aos paulistanos em geral. Para isso, o ambiente conta com apresentações musicais e uma decoração especial.

Produtor de cervejas artesanais, Hassan decidiu transformar as reuniões da militância palestina realizadas em sua casa, em um empreendimento que vem conquistando um espaço interessante em um dos centros nervosos de São Paulo. No local, funcionou uma casa noturna de sucesso nos anos 80: a La Bohéme, que tinha uma clientela grande, formada inclusive por artistas e jogadores de futebol.

Al Janiah: Rua Álvaro de Carvalho, 190, Centro. Telefone: (11) 98392-9246. Horário de funcionamento: terça das 18h à 0h. Quarta e quinta das 18h à 0h30. Sexta e sábado das 18h às 2h.

Ogarett
Tradicional reduto árabe da cidade, o Brás não poderia ficar de fora dessa lista. Desde 2015, é ali que Eyad Abuharb toca o Ogarett. O restaurante árabe tem como maior especialidade o shawarma, espécie de espeto de carne ou frango enrolado em uma massa de pão sírio junto de legumes e outros acompanhamentos. Também faz sucesso o sujek, um sanduíche feito com carne picante. Eyad já trabalhava como chefe de cozinha na Síria e deixou lá a família para tentar uma vida melhor no Brasil. O restaurante está situado em meio a vários comércios que, em sua maioria, são tocados também por comerciantes de origem árabe.

Ogarett: Rua Doutor Ornelas, 150, Brás. Telefone: 95109-1040. Horário de funcionamento: de segunda a sábado das 9h às 20h.

Damascus
Said Mourad era ortopedista e tinha uma clínica particular quando deixou a Síria em direção ao Brasil. Aqui, junto do filho e do genro, além de outros dois imigrantes sírios, abriu uma padaria em Pinheiros. Um desses dois imigrantes é Tarik Balbke, que já era padeiro na Síria. Quando o local foi aberto, vendia apenas doces com ingredientes importados da região de origem dos donos. De uns tempos pra cá, porém, passou a investir no almoço com um bufê e um prato do dia. Esses pratos variam de feijão verde com arroz e molho de tomate (o yallah) a arroz com carne e molho de caliada (shkriya).

Damascus: Rua Conego Eugênio Leite, 764, Pinheiros. Telefone: 98310-5607. Horário de funcionamento: de segunda a sábado das 8h às 23h. Domingo das 8h às 17h.

Damascus foi inaugurada em 2015

Muna Sabores e Memórias Árabes
A síria Muna Darweesh chegou ao Brasil há quatro anos e oferece doces e salgados típicos por encomenda. Ela realiza as entregas nas casas dos clientes ou em estações de metrô. O charuto de folha de uva é um dos mais aclamados pratos de onde sai o sustento da família Darweesh, que encontrou no Brasil o primeiro refúgio para a guerra civil que eclodiu na Síria em 2011. Os pedidos podem ser feitos até mesmo pelo Whatsapp ou pela página da Muna no Facebook.

Muna Sabores e Memórias Árabes: Rua Climaco Barbosa, 500, Cambuci. Horário de funcionamento: consultar no telefone. Telefone: 95437-0682.

Al-Dirani
As maiores esfihas da região da Pompéia são feitas pelo sírio Tamim Al-Dirani. O negócio foi aberto em maio de 2016 e tem como destaques o shawarma de frango, os quibes e os bolinhos de falafel. Entre os doces, a aposta é a esfiha de Nutella. A casa de autointitula “O verdadeiro sabor do Oriente”. Promoções e combos especiais também ajudam a atrair o público. Tamim e o Al-Dirani realizam entregas na parte da tarde. Apesar da localização escondida, a casa vem fazendo algum sucesso entre os moradores da região.

Al-Dirani: Avenida Pompéia, 1898, Pompéia. Telefones: (11) 2537-8816 e 98487-9244. Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 11h às 22h.

Congolinária
Os africanos também marcam presença em solo paulistano. Luambo Pitchou é um dos congoleses que vieram para cá e encontraram na gastronomia uma ocupação. Ele tem um Food Truck no Food Park “O quintal de casa”, no Itaim Bibi. Lá, prepara quitutes como o tradicional sambusa, salgado recheado com variações que vão do tomate a berinjela. O Congolinária é 100% vegano. Nenhum dos pratos leva carne ou qualquer derivado. No cardápio de bebidas, Luambo garante que o Tangawasié um afrodisíaco.

Congolinária: Rua Dr. Renato Paes de Barros, 484, Itaim Bibi. Telefone: 94376-2912. Horário de funcionamento: segundas, terças e quintas das 10h às 15h; quartas e sábados das 10h às 16h; sexta das 12h às 16h e das 19h às 22h.

O chef Luambo Pitchou, do Congolinária (Foto: Divulgação)

O chef Luambo Pitchou, do Congolinária (Foto: Divulgação)

Basma
Um casamento entre refugiados provocou uma mistura interessante entre a culinária africana e a asiática. A marroquina Basma El Halabi e o sírio Naras Halawbi também contam com um food truck no “O quintal de casa”. Em janeiro, o local foi movimentado pelo Festival do Falafel e do Shawarma. A culinária marroquina predomina, com destaque para o coscous, o tajine e o tabule, mas os pratos sírios também marcam presença. A casa aceita pedidos por Whatsapp.

Basma: Rua Dr. Renato Paes de Barros, 484, Itaim Bibi. Telefone: 95865-5026. Horário de funcionamento: de domingo a quinta das 11h às 16h; sexta das 11h às 22h.

Lfcab
O congolês Omana Pentech abriu o amplo quintal de uma casa na Vila Matilde, zona leste, para dar aulas de francês, inglês e dos dialetos africanos que domina. Além disso, oferece às crianças aula de geopolítica africana com a experiência de quem já foi professor universitário e ativista de direitos humanos. A culinária é outra das suas grandes paixões, gerando assim aulas de gastronomia. Esporadicamente, o Lfcab oferece almoços congoleses com renda revertida para os projetos sociais de Pentech.

Lfcab: Rua Gregório Souza, 128, Vila Dalila. Horário de funcionamento: indefinido. Telefone: 95893-3278.

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