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Cultivada no nordeste da Índia, a bhut jolokia já foi considerada a pimenta mais ardida do mundo pelo Livro dos Recordes (atualmente, o posto pertence a uma vermelhinha chamada Trinidad Scorpion Butch T). Seu nome é normalmente traduzido como “pimenta fantasma”, termo que batizou um restaurante totalmente dedicado às plantas ardidas. Inaugurado há um mês, o Pimenta Fantasma clama ser um “spicy bistrô”. As pimentas estão por toda a parte, mesmo que às vezes não dê para perceber. “A pimenta pode estar no meio de um prato, com destaque, ou em detalhes, como na aromatização de um azeite ou do arroz”, diz Afonso Rodrigo de David, um dos proprietários.

O responsável pela criação dos pratos é Pedro Jorge de Oliveira, sócio de David na empreitada. Economista de formação, ele é estudioso da culinária do Sudeste Asiático e fascinado por pimentas. É de Oliveira a estante de vidro que faz parte da decoração do ambiente. Ela abriga parte da coleção particular de livros de gastronomia do chef, que já tem cerca de 3200 obras. Em 1993, conforme pesquisava sobre culinária estrangeira, Oliveira começou a montar uma biblioteca gastronômica em sua casa. “Tento garimpar tudo que sai a respeito da formação das cozinhas que estudo”, conta. A coleção tem, principalmente, publicações brasileiras, americanas, inglesas, espanholas, francesas e australianas. Delas, a favorita do cearense é “The Bombay Café”, da indiana Neela Paniz. “O livro não tem fotos, mas descreve pratos simples e ricos em sabor”, diz.

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No Pimenta Fantasma, a estante será preenchida com apenas uma parte da biblioteca de Oliveira. Por enquanto, o transporte ainda está sendo realizado, mas a intenção é disponibilizar cerca de 500 títulos, entre livros e periódicos sobre gastronomia. Ao Blog do Curiocidade, o chef falou mais a respeito de sua coleção:

A biblioteca ficará aberta à consulta do público?
Será uma biblioteca semi-aberta. Não dá para retirar as obras, já que sou mais ciumento com os livros do que com meu carro. No entanto, qualquer cliente pode pedir a chave e consultar as obras, conversar comigo a respeito delas e pedir dicas. Meus funcionários também vão consultar o acervo constantemente. Quero que eles aprendam muito sobre técnicas e história da culinária. Só é possível criar quando uma pessoa tem essas bases.

Qual é o critério para a escolha dos livros que ficarão no Pimenta Fantasma?
Para o acervo do restaurante, tive dois critérios. Uma parte tem livros que tratam da culinária de países que, tradicionalmente, usam muitos condimentos, como os do Sudeste Asiático. A segunda parte é de culinária em geral, ou seja, técnicas e conceitos fundamentais da cozinha. Selecionei livros que achei adequados à proposta do restaurante.

No meio desses 3 200 livros, você não tem nenhum repetido, não?
Por causa da memória, não. Mas já aconteceu de adquirir obras repetidas. Por exemplo, certas vezes comprei obras em sites americanos e gostei do trabalho do autor. Aí, anos depois, vi um lançamento do mesmo autor em um site britânico, com capa e título diferentes. Quando comprei, era exatamente o mesmo livro, só que na versão do Reino Unido. Isso aconteceu umas três vezes comigo até que aprendi a lição. Geralmente, dou os exemplares repetidos de presente para amigos.

Serviço:

Pimenta Fantasma
R. Cônego Eugênio Leite, 448, Pinheiros, 2528-6219
ter. a sex. 12h/15h e 20h/23h30, sáb. 12h30/16h e 20h/0h, dom. 12h30/16h.

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Paulo Liebert/AE)

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