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Lançado em 2005,  O Doce Veneno do Escorpião vendeu 300 mil cópias, deu origem a outros dois livros, virou filme (visto por 2 milhões de espectadores nos cinemas) e catapultou a ex-garota de programa Bruna Surfistinha à condição de celebridade. Ela até participou do reality show “A Fazenda 4”, na TV Record. O sucesso instantâneo de Raquel Pacheco, verdadeiro nome de Bruna, atraiu para o mercado literário outras garotas de programa. Pelo menos foi assim que se apresentou Vanessa de Oliveira, que lançou na mesma época o livro “O Diário de Marise” (Editora Matrix).

Lola Benvenutti: garota de programa e escritora

Lola Benvenutti: garota de programa e agora escritora

A “Bruna Surfistinha” da vez é Lola Benvenutti, nome de guerra de Gabriela Natália Silva, 22 anos, formada em Letras pela Universidade Federal de São Carlos (SP). Ela diz que começou a se prostituir em 2010. Na segunda-feira passada, dia 11, cerca de 200 pessoas foram ao lançamento do livro “O Prazer é Todo Nosso”, da Editora MosArte, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Fenômeno midiático, Lola já foi entrevistada por Danilo Gentili, Marília Gabriela, Luciana Gimenez e Pânico no Rádio, e posou também para o site “Paparazzo”. Só que a repentina fama também levantou dúvidas entre os seguidores do Fórum GPGuia, uma espécie de “Trip Advisor” de garotas de programa. Os clientes abrem um registro e vão dando notas e opiniões a respeito das profissionais. “Acho que todo mundo já viu a nova GP. A questão é por que  a dita cuja ainda não ganhou um tópico? Alguém certamente já saiu com ela”, desconfiou um internauta.  “Odeio o GPGuia”, fuzila Lola. “Os usuários ficam extorquindo as meninas para elas cobrarem menos ou farão comentários ruins. Funciona como uma grande máfia”.

No ano passado, em entrevista ao site Ego, Lola disse ter feito encontros pagos com mais de 3 mil homens em apenas três anos. “Eram 10 por dia”, declarou. “Pelas contas, ela já teria ganhado mais de 3 milhões de reais”, contabilizou um usuário do GPGuia. “É uma farsa”. Lola tem um anúncio no site de acompanhantes Spartanas. Cobrava 350 reais por hora e sem local. Atualmente, com a fama em alta, o programa subiu para 400 reais. Lola diz que não foi tudo isso, mas que já conseguiu comprar um apartamento nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, onde mora atualmente com o cachorro Diadorim, homenagem ao personagem de “Grande Sertão: Veredas”, livro de cabeceira dela. Lola não recebe clientes em casa. Apenas atende em hotéis e motéis.

Será que “O Prazer é Todo Nosso” pode superar as 300 mil cópias vendidas de “O Doce Veneno do Escorpião”?

“O Prazer é Todo Nosso” segue a mesma linha de “O Doce Veneno do Escorpião”, de Bruna Surfistinha, que vendeu 300 mil exemplares

Oscar Maroni, dono do Bahamas e um dos maiores conhecedores desse universo, acredita que Lola chutou um número alto demais para chamar atenção. “É difícil”, afirma. “No máximo, elas fazem 30 programas por mês. No Bahamas, pelo que sei, as garotas conseguem, em média, 10 encontros mensais”. Maroni conta que convidou Lola para trabalhar em seu hotel. “Ela ficou meio receosa, disse que as minhas meninas são muito bonitas.”

Os longos cabelos negros, adornados por uma chamativa mecha loira, caem sobre o ombro direito, escondendo uma entre as 15 tatuagens que enfeitam seu corpo. O estilo alternativo, de acordo com Lola, apelido inspirado no romance “Lolita”, de Vladimir Nabokov, é o seu principal chamariz. Fã de literatura, ela tem na estante escritores canônicos, como Machado de Assis e Guimarães Rosa, e também a obra de Bruna Surfistinha. “’O Doce Veneno do Escorpião’ é um livro válido, pois dialoga com as pessoas sobre a vida de uma garota de programa”, analisa. “Só que o dela vitimiza a acompanhante, como se tudo fosse ruim. Apesar de termos a mesma profissão e por termos escrito blogs, nossa história é diferente.  Comecei a me prostituir porque gostava. Minha família é estruturada. Já a Bruna precisava encontrar uma maneira para não morrer de fome.”

“Ela não pode julgar”, rebate Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha. “Algumas garotas não têm escolha. Espero que ela tenha vivido somente o luxo, porque eu também conheço o lixo, e sei o quanto isso é difícil”, afirma a ex-garota de programa, que agora é uma requisitada DJ e que não planeja ler o livro de Lola Benvenutti.

A “fuga do estilo panicat” é o diferencial de Lola

Estilo alternativo e apelido inspirado em romance de Nabokov

Sobre a suspeita de que Lola estaria apenas fazendo o papel de garota de programa para ganhar fama, Oscar Maroni acha que ela teria que ser muito audaciosa. “Quando ela se expõe, recebe um carimbo eterno na testa”, garante. A ala dos desconfiados diz que Lola cobra valores bem acima da média de outras garotas de programa, gasta tempo demais em vídeos superproduzidos e os comentários de seu blog parecem fakes de tão bem escritos. Ela rebate as insinuações: “Por qual motivo eu destruiria minha vida me passando por garota de programa?”

A liberdade foi uma das motivações para Lola iniciar sua profissão, inclusive materializada em sua primeira tatuagem, feita aos 14 anos, na nádega direita. “Fiz as asas da Harley-Davidson pelo sonho de ser livre”, conta. “Meus pais sempre me castigavam, então decidi monetizar meu prazer pelo sexo”. Ela conta que tinha acabado de perder a virgindade com um ex-seminarista de 30 anos, que conheceu nas salas de bate-papo. “Ele não sabia nem desabotoar minha blusa”, lembra Lola.  “Semana passada, um menino de 25 anos, virgem, pediu para fazermos a posição flor de lótus, e eu nem sabia o que era”.

(Com reportagem de Lucas Strabko)

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