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A inauguração da Arena Corinthians na tarde de ontem mostrou um velho câncer do futebol brasileiro. E não estou falando dos já citadíssimos atrasos nas obras, falta de cobertura nas cadeiras, preços abusivos nas lanchonetes e falta de sinalização. Para tudo isso há solução. O que parece que nunca vai acabar é o descaramento com a venda ilegal de ingressos. Torcedores do Figueirense, que vieram de Florianópolis, reclamaram da falta de ingressos na bilheteria do estádio, como o Corinthians havia prometido.  “Anunciaram que venderiam as entradas a partir da 1 da tarde, mas não venderam”, reclamou o torcedor Vanderlei Nunes. “Tivemos que comprar de cambistas”.

Filipe Back, presidente da “Gaviões Alvinegros”, a maior torcida organizada do Figueirense, não tinha do que reclamar. Ele estava com um maço de tíquetes e os revendia com a maior naturalidade na frente do estádio. Um deles foi comprado por um repórter do Blog do Curioso (abaixo). Segundo reportagem publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo, “por ter boa relação com a Gaviões da Fiel, a torcida catarinense comprou diretamente um lote de 400 a 500 ingressos”. A exemplo do que aconteceu com a Folha, o ingresso era para uma fileira que não existia (o jornal só encontrou filas até a letra M e oito orientadores não souberam dar nenhum tipo de orientação. O Corinthians contestou essa informação).

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Repassados por dirigentes e vendidos por organizadas, abertura da Arena é marcada por venda ilegal de ingressos

Para a torcida corintiana, os ingressos para a inauguração da arena  se esgotaram em apenas um dia, na terça-feira da semana passada. Por isso, muitos torcedores resolveram entrar na fila para comprar os ingressos destinados ao time visitante. Houve confusão, com a intervenção da polícia, e as bilheterias não foram abertas.

Pouco antes disso, por volta de meio-dia, Filipe Back, uniformizado com o casaco da Gaviões Alvinegros, perambulava todo agitado nos arredores da entrada destinada aos ônibus e dirigentes dos clubes. Cercado por torcedores do Corinthians e do Figueirense, o líder discutia com um funcionário da FIFA, que usava uma credencial de acesso livre do COL (Comitê Organizador Local). Depois de alguns minutos, Back foi autorizado a entrar numa área restrita a pessoas credenciadas e usando pulseiras nas cores azul ou laranja.

Entrada permitida somente à credenciados deu acesso ao líder organizado (Foto: Bol)

Entrada permitida somente à credenciados deu acesso ao líder organizado (Foto: Bol)

Antes de entrar na porta abaixo do Setor Norte da Arena Corinthians, o presidente da torcida organizada recolheu 50 reais das pessoas que estavam junto com ele.  Depois de alguns minutos, voltou com uma grande quantidade de ingressos nas mãos, todos destinados ao público visitante.

Alvinegros contrastados: torcedores do Corinthians e do Figueirense ficam juntos no setor visitante

Alvinegros contrastados: torcedores do Corinthians e do Figueirense ficam juntos no setor visitante

Sentado na porta do estádio, Back vendeu os ingressos que haviam sobrado (e eram muitos!) para torcedores corintianos, o que explica o maior número de camisas do time paulista no setor destinado aos torcedores do Figueirense.

De acordo com Fabio Freitas, gerente de marketing do time catarinense, “o departamento de futebol do Corinthians forneceu 86 ingressos para a diretoria do Figueirense.” A informação foi confirmada por André Stepan, assessor de comunicação: “No sábado à noite, um diretor e um representante da torcida organizada foram buscar as entradas no hotel.” Por fim, de acordo com André, o setor de arrecadação contabilizou 476 ingressos vendidos para o setor visitante. Desse total, Rafael Machado, supervisor de futebol do Figueirense, confirma que “alguns torcedores pegaram ingressos direto com o pessoal da arrecadação do Corinthians, mas não sei como o trâmite ocorreu.”

É possível dizer que, nesse quesito, o Corinthians seguiu rigorosamente o padrão Fifa de venda de ingresssos. Na semana passada, o programa “Fantástico” mostrou um bombeiro vendendo ingressos para a Copa dentro do quartel. Ontem foi a vez de um presidente de torcida organizada fazer o papel de bilheteiro.

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