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No próximo domingo, dia 30, 141 888 mil estudantes começarão a longa maratona do vestibular da Fuvest. O que está em jogo são as 11 177 vagas para a Universidade de São Paulo (USP).  São nesses momentos de ansiedade que uma “santa”,  cada vez mais popular entre os vestibulandos, costuma ser acionada.  O Cemitério da Consolação, o mais antigo da cidade, recebe muitos estudantes que procuram pelo túmulo de Maria Judith de Barros. No arquivo local, não existe registro do dia de seu nascimento. Não há também uma única foto que apresente aos fiéis vestibulandos a feição da protetora. Sabe-se que Maria Judith de Barros sofria de uma doença degenerativa. Era casada, mas apanhava constantemente do marido, sem nunca ter revidado. Morreu em 26 de novembro de 1938, vítima das agressões do cônjuge, que contribuíram para agravar seu estado clínico. Seu corpo foi enterrado na Rua 26, lado direito, terreno 40.

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Túmulo da santa popular Maria Judith de Barros

Francivaldo Gomes, 47 anos, mais conhecido como “Popó”, trabalha há 15 anos no Cemitério da Consolação. Ele conta que o início da lenda se deu logo depois do enterro de Maria Judith. Uma mulher que sabia sobre as dificuldades do casamento da santa foi visitar o túmulo. Ajoelhou-se diante da sepultura e fez o primeiro pedido a Maria Judith de Barros. Pouco tempo depois, colocou sobre a cova a primeira placa de agradecimento pela bênção alcançada. “Bastou para que todos da região rapidamente associassem Maria Judith a milagres”, conta Popó.

Mas foi só no final de 2001 que os vestibulandos adotaram a santa. Tudo começou com a exposição “História e Arte Tumular”, organizada pelo professor Délio Freire dos Santos, na época responsável pelas visitas monitoradas do cemitério. O projeto itinerante, que apresentava fotos das esculturas da necrópole da Consolação com a biografia dos respectivos autores das obras, fez aumentar o número de visitas dos vestibulandos ao cemitério. Em abril do ano seguinte, com a morte do professor Délio, Popó o substituiu na função de guia.

“O túmulo da Maria Judith passou a fazer parte do roteiro monitorado”, explica Popó. “Os alunos começaram pedir a ela aprovação na faculdade”.  As placas de metal em agradecimento começaram a aparecer. A maioria é de vestibulandos que receberam “a graça” de ingressar nas melhores faculdades do país. “Cheguei a apresentar o túmulo para 80 estudantes em um único dia”, recorda. “Já ouvi vários professores brincando com os alunos dizendo a eles para irem até o cemitério pedirem ajuda à Maria Judith”, conta Beto de Souza Joaquim, 40 anos, responsável pelo setor audiovisual do curso pré-vestibular Anglo Sergipe, localizado na rua ao lado do cemitério. “Os alunos saem dizendo: ‘A próxima placa é a minha’”, completa Popó.  O curso de Medicina é um dos campeões em números de agradecimentos.  “Muitos não gostam de se identificar, por isso a maioria dos vestibulandos traz vasos de flores”, esclarece o guia.

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O cemitério da Consolação concede, em média, 50 autorizações para visitas monitoras por mês e recebe em torno de 100 visitantes diariamente.  O passeio, que deve ser agendado previamente, acontece todas as terças e sextas-feiras e tem 1h30 de duração. Agora, amigo vestibulando, você já sabe que, além da apostila, é preciso rezar bastante pela ajuda da “padroeira”  Maria Judith de Barros.

Serviço

Rua da Consolação, 1660, Cerqueira César
Tel. 3256-5919

 

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