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Entre 2009 e 2012, segundo dados da Prefeitura de São Paulo, 728 novas leis foram aprovadas pela Câmara Municipal. Desse total, 269 eram nomeações de logradouros públicos.  O ex-prefeito Celso Pitta morreu em 20 de novembro de 2009 e, nesse período, nenhum vereador ousou pensar em homenageá-lo. Não há registro de rua, avenida, alameda, viaduto, ponte, viela, travessa, parque, escola ou jardim de infância com o nome de Celso Pitta. É importante abrir um parênteses aqui e fazer um esclarecimento: a ideia desse texto não é fazer campanha a favor do político, longe disso.

Pitta

Ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta

Segundo levantamento do repórter Vinícius Custódio,  dos 42 prefeitos de São Paulo já falecidos, apenas seis não viraram nome de rua. Três ficaram no cargo como  interinos por prazos muito curtos. Além de Pitta, os outros dois não homenageados foram Miguel Colassuono, prefeito da cidade entre 1973 e 1975, na época da ditadura militar, e depois líder da base de Maluf e Pitta na Câmara Municipal, e Reynaldo de Barros, prefeito indicado por Maluf e ex-secretário na gestão Pitta. “Maluf, Colassuono e Reynaldo estão vinculados ao Regime Militar”, afirma Carlos Melo, consultor, cientista político e doutor em sociologia pela PUC . “A memória que se guarda daquele tempo não é naturalmente positiva. Reynaldo e Colassuono morreram recentemente, em tempos de democracia, que não permitiram mesuras àquele período”.  (Colassuono faleceu em 4 de outubro do ano passado e Reynaldo,  em 11 de fevereiro de 2011).

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Tabela com a lista de todos os ex-prefeitos e interinos (mortos) de São Paulo (clique na imagem para ampliá-la)

Celso Roberto Pitta do Nascimento foi eleito graças ao apoio do padrinho Paulo Maluf. “Se Celso Pitta não for um bom prefeito, nunca mais vote em mim”, repetia Maluf no horário político. Celso Pitta bateu Luíza Erundina, do PT, e assumiu o cargo em 1997. Sua gestão foi marcada por inúmeros escândalos. As denúncias de corrupção o tiraram do posto em 26 de maio de 2000. Pouco menos de um mês depois, em 14 de junho, Pitta reassumiu, mas voltou a deixar a Prefeitura em 31 de dezembro do mesmo ano. Longe do poder, o ex-prefeito foi preso duas vezes. A primeira aconteceu em 2004, depois de fazer uma ironia com o senador Antero Paes de Barros em depoimento à CPI do Banestado, do Paraná. Pitta estava sendo acusado de enviar dinheiro de forma ilegal para o exterior. A segunda prisão ocorreu em 2008, quando a Justiça Federal o considerou culpado pelo Escândalo dos Precatórios. Também em 2008, o ex-prefeito foi condenado à prisão domiciliar por não pagar pensão alimentícia à sua ex-mulher, Nicéia Pitta. Em janeiro de 2009, o economista passou por uma cirurgia para retirar um tumor do intestino. Nesse mesmo ano, Celso Pitta faleceu. “Pitta não concluiu o mandato, cassado por corrupção. Com esse retrospecto. não teria mesmo direito a qualquer consideração”, opina o cientista político Carlos Melo.

A reportagem do São Paulo para Curiosos tentou, ao longo de três semanas, conversar com o atual deputado federal Paulo Maluf.  O ex-prefeito e governador tem talento para nomear ruas com nomes de seus parentes. A mãe Maria Maluf virou nome de túnel. O pai batizou a avenida Salim Farah Maluf (Tatuapé) e a Praça Salim Farah Maluf (Santo Amaro). Já o avô de Maluf, Miguel Estéfano, ganhou uma avenida em sua homenagem no bairro de Jabaquara. Será que ele teria feito alguma tentativa para fazer o mesmo com seus antigos pupilos? Depois de incontáveis ligações, Adilson Laranjeira, assessor de imprensa de Maluf, respondeu: “Ele já está sabendo da matéria, mas eu não sei o porquê ele está ‘esticando’ o assunto”.  Completou: “Amanhã vamos ter uma reunião e eu falo com ele ‘cara a cara’ sobre isso”. No dia seguinte, nova resposta de Laranjeira: “Eu não sei os motivos, mas ele não vai falar sobre o assunto”.

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