Share Button

A semana passada foi agitada para Paulo Almeida, 54 anos, dono do Empório Alto dos Pinheiros. No último dia 10, a loja entrou na lista elaborada pelo site americano Thrillist, que elegeu “os 21 melhores bares do mundo”. Seis dias depois, ele venceu – pelo segundo ano consecutivo – a categoria “melhor carta de cerveja” no prêmio Veja S. Paulo Comer & Beber. Pouco apegado a números, Paulo garante que já passaram por ali  3 mil diferentes rótulos da bebida. Atualmente, o lugar oferece quase 800 marcas diferentes de cervejas e mais 33 torneiras de chope. “Vendemos diariamente 550 garrafas”, calcula. “Aqui é igual coração de mãe: se a cerveja é boa, arrumamos um jeito de vendê-la”.

DSC05430

Paulo Almeida, proprietário do premiado Empório Alto dos Pinheiros: a casa oferece atualmente 800 marcas de cerveja e 33 torneiras de chope

O Empório Alto dos Pinheiros tem capacidade para receber 90 pessoas em seus dois andares. Antes de se tornar conhecido pela carta de cerveja, o lugar chamou a atenção com refeições à la carte, servidas na hora do almoço, prática que Paulo mantém até hoje. “O bairro tem muitos edifícios comerciais e o paulistano aprendeu a pedir cerveja para acompanhar a refeição”, percebeu. O cervejeiro faz questão de salientar que um dos lemas do bar é: beber menos e beber melhor. “É como um ou dois copos de vinho na hora do almoço: não faz mal nenhum”. O empresário, no entanto, quer evitar comparações entre as duas bebidas. “Não quero que a cerveja de qualidade ganhe o mesmo rótulo que o vinho: um produto que, de tão requintado, se tornou restrito”, explica. “Respeitamos todos os rituais que uma boa cerveja merece, começando pelo copo em que a bebida vai ser servida. Mas aqui não tem frescura”.

O lugar tem seus próprios mandamentos. Lá não existe cardápio. “A rotatividade das marcas é grande”, avisa Paulo. “Então, colocamos todas as cervejas nas prateleiras. O cliente precisa ir até lá e escolher. Gosto de ver as pessoas pegando a própria bebida, cria-se uma relação dele com aquela cerveja”. Como se fosse um segundo mandamento, os clientes costumeiramente oferecem seu copo para Paulo provar a escolha. Ele nunca recusa. “Eles gostam de me ver bebendo e eu gosto desse clima descontraído, de vê-los à vontade”. Atualmente, a cerveja mais cara dali é a BrewDog Tokyo – a garrafa de 330 ml custa 250 reais. “Existem outras mais caras, porém, proporcionalmente pelo tamanho essa ganha”, comenta Paulo, apontando para o verso do rótulo da garrafa. “Foi uma fabricação com um pouco mais de 2 mil garrafas. Cada garrafa tem seu número de série escrito à mão”.

DSC05425

A BrewDog Tokyo custa 250 reais e é a mais cara à venda no momento

DSC05427

Garrafa número 1915 de uma série com pouco mais de 2000 exemplares

O sucesso tem sido tão grande que, no último dia 25 de setembro, também no bairro de Pinheiros, Paulo abriu a primeira loja franqueada do bar belga Delirium Café no Brasil, em sociedade com o arquiteto José Renato Vessoni. O local oferece 24 torneiras de chope e famosas cervejas belgas, como Kwak, Gulden Draak e Chimay. “Não me preocupo em abrir dois bares com a mesma característica em lugares próximos”, afirma Paulo. “Acredito que, quando alguém quiser tomar uma boa cerveja, logo vai pensar em Pinheiros”. Além das duas casas comandadas por ele, o bairro abriga ainda a Cervejaria Nacional, o BrewDog Bar e a Get Your Beer. “Já morei em Pinheiros e até hoje é o meu bairro preferido da cidade. Tem metrô, táxi e ônibus, o que facilita sair sem carro, ainda mais para uma bebedeira”, brinca a sommelière de cerveja Beatriz Amorim, de 32 anos. “Você consegue ir de um bar ao outro a pé. Sempre faltou isso em São Paulo, agora, finalmente, os cervejeiros podem badalar pelos estilos de rótulos”.

Paulo começou a trabalhar aos 17 anos, como iluminador de teatro. Depois fez produção em peças e musicais. A pedido do pai, Antônio Manoel, se matriculou em 1979, no curso de Administração de Empresas da PUC. Por vontade própria, paralelamente, ele cursou teatro na Escola de Comunicação e Arte na USP.

DSC05435

Cliente escolhe o que vai beber em frente às prateleiras de cerveja

Em 1986, sem concluir nenhum dos dois cursos, ele abriu o Espaço Mambembe, sua primeira experiência empresarial. “Tentei juntar no mesmo lugar tudo o que eu gostava. Era a mistura de um bar com apresentações teatrais”. O local funcionou por seis anos. A decisão de montar o Empório começou 13 anos atrás, por iniciativa da mulher dele, Roberta Teixeira, de 46 anos. Depois de dar à luz a única filha do casal, resolveu, durante a licença maternidade, fazer uma pós em economia com foco em alimentos orgânicos. “Ela conheceu quatro amigos que queriam sair do trabalho e montar o próprio negócio. Entrei para ajudá-la no projeto e então, há sete anos, inauguramos aqui, nesse mesmo endereço, uma espécie de rotisseria com algumas cervejas”, lembra Paulo. “No começo, tínhamos 40 cervejas importadas e 10 rótulos nacionais”.

Os amigos do casal foram saindo do negócio, que acabou ficando todo nas mãos da família. “Na época, não existia uma seleção de cervejas. Tudo foi um caminho natural e o Empório acompanhou esse movimento cervejeiro”, explica o representante comercial Orlando Zancaner, 32 anos, um dos ex-sócios. “Os méritos são todos do Paulo. Esse é o bar que eu mais frequento até hoje”.

Empório Alto dos Pinheiros
Rua Vupabussu, 305, Pinheiros
Tel. 3031-4328
www.altodospinheiros.com.br
Segundas às quintas e domingos, das 12h às 0h
Sextas e sábados, das 12h à 1h

Share Button