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A final de Pelota Basca dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara aconteceu hoje. O México levou o maior número de medalhas (cinco de ouro, duas de prata e duas de bronze). A Argentina ficou em segundo lugar, com quatro ouros e três bronzes. Na terceira colocação,  Cuba conquistou um ouro, três pratas e quatro bronzes. O Brasil não participou porque não tem uma equipe oficial para representar o país.

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(Foto: Reprodução / Federação Internacional de Pelota Basca)

Não temos uma seleção porque  só há um lugar no Brasil inteiro onde se pratica Pelota Basca: o Club Athletico Paulistano. Sem clubes de pelota basca, não é possível formar uma federação brasileira do esporte, requisito para participar da competição dos Jogos Pan-Americanos. O que existe é a Sociedade Brasileira de Pelota Basca, criada para afiliar o Brasil na Federação Internacional de Pelota Basca. Isso permite que o país participe ao menos dos Mundiais de Pelota Basca. A primeira vez em que isso aconteceu foi em 1990 e, desde então, não houve nenhuma edição sem representantes brasileiros. O que não chega a ser um motivo de tanta comemoração, já que o nosso desempenho nunca foi dos melhores. Na última edição, ano passado, o Brasil ficou em 5º lugar na modalidade cesta punta. Eram oito países competindo. No total, são oito modalidades: cesta punta, mano, joko garbi, share, pala corta, paleta cuero, paleta goma e frontenis. A diferença é o instrumento utilizado para bater na bola e o tamanho das canchas (paredes altas), que varia entre 450 e 810 m². São três paredes. A bola deve ser atirada na parede da frente e, ao voltar, precisa ser rebatida pelo jogador do time adversário. Ela só pode bater uma vez no chão. São dois jogadores de cada lado.

O esporte teria surgido no País Basco, norte da Espanha. Mas os primeiros registros de Pelota Basca mostram que, na Antiguidade, já havia jogos entre gregos e romanos. Foi modalidade olímpica apenas uma vez, em 1900, nos Jogos de Paris. No Brasil, era mais praticado entre os anos 1890 e 1940, época em que o jogo atraía apostadores. São Paulo tinha quatro quadras. Mas, com a proibição de cassinos no país, em 1946, as apostas foram vetadas e perdeu-se o interesse pelo esporte por aqui.

Em entrevista ao Blog do Curiocidade, Alfredo Correia Soeiro, de 74 anos, presidente da Sociedade Brasileira de Pelota Basca, falou sobre o esporte. Médico psiquiatra, ele joga em suas horas vagas, como hobby.

Por que o Brasil não montou um time para os Jogos Pan-Americanos? 
Nós não temos condições de formar uma federação brasileira. Precisamos de clubes, de canchas em vários Estados. Já tentamos dezenas de vezes, mas eles não aceitam. Nós precisamos construir canchas. Infelizmente, não somos reconhecidos.

Você acompanhou algum jogo de Pelota Basca nos Jogos Pan-Americano?
Não cheguei a ver a pelota no Pan, não. O problema é que, como não tem time do Brasil, eu tenho a impressão de que não está passando na televisão.

Quais são as potências mundiais da Pelota Basca?
México, França, Cuba e Espanha. Nunca ganhamos desses times. Mas, no último mundial, nós vencemos Filipinas, que é uma seleção forte.

Qual foi o melhor desempenho no Brasil em mundiais?
Foi da equipe feminina em 1994 na categoria frontenis. Mas não me lembro a classificação. Hoje estamos sem equipe feminina, mas começamos a treinar uma agora.

Tem alguém que patrocina o esporte no Brasil?
Não temos patrocinadores. O clube, em época de mundiais, até dá uma pequena ajuda de custo. Mas os jogadores pagam quase tudo do próprio bolso. Ninguém é profissional, nós somos amadores.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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