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Da teoria na sala de aula para a prática nos corredores e leitos hospitalares. “Falava-se muito de mostrar ao aluno o paciente como um todo, mas ninguém propunha nada”, conta Mauro Fantini, 32 anos, doutor em Biomedicina e professor no Centro Universitário São Camilo. Desde 2008, Mauro participa da ONG Operação Arco-Íris, que organiza visitas em hospitais com seus colaboradores vestidos de palhaços. O biomédico quis levar o conceito para o “mundo acadêmico”. Contou aos seus pupilos sobre o trabalho social. Eles gostaram da ideia e incentivaram o professor a entregar um projeto institucional à administração da faculdade. Em 2010, o projeto foi aprovado. Em parceria com o Hospital Samaritano, em Higienópolis, e Hospital da Criança, da rede São Luiz, no bairro do Jabaquara, surgiu o grupo Narizes de Plantão.

Com o rosto maquiado, terno e sapatos amarelos, chapéu na cabeça e nariz vermelho o biomédico se transforma no palhaço Malavazzi. Cada integrante do grupo escolhe um nome para batizar seu personagem. Mauro escolheu o sobrenome de um antigo professor.  Hoje, 45 alunos, distribuídos entre os cursos de Nutrição, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Medicina, Enfermagem e Biomedicina participam da trupe.

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O doutor em Biomedicina Mauro Fantini assume o papel do palhaço Malavazzi

O grupo se reúne todas as quartas-feiras, às 18h, dentro da própria faculdade, para  aprender novas formas de abordar os pacientes. “Não é chegar de qualquer jeito e fazer qualquer coisa”, pondera Mauro. Existe ainda uma planilha com a escala que determina quais palhaços irão fazer as visitas nos hospitais. Em média, cada hospital recebe a visita de três palhaços por semana.

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Universitários da São Camilo fazem treinos no encontro semanal do grupo Narizes de Pantão

Mauro explica que é a frequência das visitas que garante o sucesso do projeto.  Certa vez, um paciente ouviu as vozes dos palhaços cantarolando pelos corredores do hospital e comemorou: “Todo sofrimento merece um recreio”. A história que mais emociona o palhaço Malavazzi é a de um garoto internado em estado de coma na UTI. “Nem precisa entrar aí porque ele não responde”, disse a enfermeira ao professor. Eles entraram assim mesmo e, depois de algum tempo cantando e fazendo brincadeiras, as mãos e os pés do paciente começaram a tremer e seus batimentos cardíacos aumentaram. “Para o palhaço não importa o estado físico do paciente”, afirma, “Para nós, não existe a expressão ‘eu desisto’”.

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Narizes de Plantão: visitas a leitos infantis em hospital

O projeto universitário recebe novos integrantes anualmente, pois os alunos formados são obrigados a deixar o grupo. Para os iniciantes, existe um curso especial de “palhaçadas” que dura três meses.  O Narizes de Plantão recebe um incentivo financeiro da faculdade, porém, a trupe quer aumentar a receita para alavancar o volume de visitas em hospitais e realizar novos trabalhos sociais. A ideia foi personalizar produtos do dia a dia.  O grupo começou a vender na sua página do facebook canecas (R$ 20), camisetas (R$25), sacolas ecológicas (R$15) e chinelos (R$ 25). A próxima travessura que o biomédico Mauro planeja é começar uma pesquisa para descobrir quais métodos utilizados pelos palhaços podem ser aplicados ao estudo da Medicina tradicional: “Inserir algo diferente em um ensino muito ‘quadrado’”, provoca o professor.

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