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Na madrugada do último sábado (7), o jornalista Flavio Gomes, apresentador da ESPN-Brasil e da rádio Estadão/ESPN, fez um post em seu blog relatando uma experiência curiosa. Três dias depois do falecimento de sua sogra, ele recebeu um telegrama prestando condolências. O telegrama dizia: “Solidarizo-me neste momento de dor e saudade. Que Deus lhe dê forças para superar esta perda irreparável”. O problema é que Flávio não conhecia a remetente: a vereadora paulistana Edir Sales, do PSD, partido do prefeito Gilberto Kassab.  Indignado, o jornalista escreveu:

“Não acho correto que o município gaste R$ 8,80 para que uma vereadora se solidarize comigo, tendo a mais absoluta certeza de que ela nunca ouviu falar da minha sogra, de mim ou de qualquer membro da minha família. E a mais absoluta convicção de que ela não faz a menor ideia de que este telegrama foi enviado, porque isso é coisa automática, algum assessor deve receber listas diárias de defuntos e ganha um salário, que eu pago, para enviar telegramas a famílias entristecidas”.

edirsales

Como a vereadora conseguiu a informação da morte da sogra de Flávio? No post, que foi compartilhado por milhares de internautas no final de semana, Flávio escreveu:  “Indignado, porque evidentemente eu e todo e qualquer cidadão que preenche a papelada referente à morte de um parente ou amigo passamos a fazer parte do cadastro de otários da vereadora e, muito provavelmente, do partido do prefeito. Afinal, quem mais tem acesso aos dados do Serviço Funerário Municipal a não ser a Prefeitura? E quem é que autorizou a Prefeitura a passar meus dados a um partido político? E quem é que autorizou a vereadora Edir Sales a usar meu nome e endereço para o que quer que seja?”

Edir Sales, obviamente, não atendeu o pedido de entrevista do Blog do Curiocidade. Uma assessora da nobre vereadora disse que responderia as perguntas somente por e-mail. De acordo com a assessora, Edir Sales não tem acesso a listas do Serviço Funerário. A justificativa é que, ao longo da carreira como radialista nas emissoras Tupi AM, Iguatemi AM e Atual AM, ela fez muitos contatos. A notícia do falecimento da sogra de Flavio Gomes teria chegado à política por meio de amigos do meio jornalístico. Por mais que pareça antiquado utilizar telegramas para entrar em contato com as famílias dos falecidos, “a vereadora escolhe o meio de comunicação porque ele é menos impessoal do que um e-mail”, respondeu a assessora.

Os telegramas chegaram a Flavio Gomes com a Câmara dos Vereadores como remetente. No entanto, de acordo com a assessoria da vereadora, os telegramas de luto não são pagos com verba pública, mas com fundos do escritório político de Edir, que tem base eleitoral na Zona Leste de São Paulo. “Por uma questão de formalidade estratégica, toda a correspondência enviada pela vereadora é remetida com endereço do gabinete”, afirma a assessora. A responsável pelo envio dos telegramas é a chefe de gabinete, Suely Watanabe, esta sim paga pelos cofres públicos.

Em seu site, a vereadora Edir Sales exibe sua atuação na Câmara Municipal. Ela é responsável – entre outros – pelo projeto de lei que retira carros de empresas de manutenção de elevadores do rodízio municipal de veículos, a criação do Dia do Imigrante do Leste Europeu e a instituição do “Programa Agente Igreja”, que obriga os templos religiosos a contar com funcionários para auxiliar a circulação de carros na saída de cultos. Nenhum destes três projetos foi aprovado até agora. Nossos pêsames!

Texto atualizado em 10/04/2012, às 18h20, com informações de Flavio Gomes.

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