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Pouco menos de 5 quilômetros separam dois museus dedicados ao futebol em São Paulo. Um é o badaladíssimo Museu do Futebol, dentro do Estádio do Pacaembu, na Praça Charles Miller. Outro é o praticamente desconhecido Museu da Federação Paulista, que fica no quinto andar do prédio da entidade, na Barra Funda. “Quando a federação saiu da Brigadeiro Luís Antônio, no centro, em dezembro de 1999, e veio para a Barra Funda, o museu ficou quase dois anos fechado, porque não tínhamos nenhum visitante”, conta Cesar Augusto Moura Leite, 55 anos, professor de Educação Física e um dos responsáveis pela manutenção do museu.

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Do antigo edifício ficaram as marcas de dois incêndios que devastaram parte do acervo do museu. “Perdemos muita coisa, porém, graças ao trabalho do Rubens, esse local voltou a funcionar”, diz Cesar. Rubens Ribeiro, jornalista, dedicou 50 dos seus 86 anos à Federação Paulista. Quando o novo prédio foi inaugurado, em março de 2000, ele limpou sozinho todas as taças, quadros e livros do acervo (no dia da visita, Rubens estava cuidando da mulher, internada depois de uma cirurgia). Cesar chegou em 2003, depois de uma passagem pela Federação Paulista de Voleibol. “Fui contratado para fazer as tabelas dos jogos e conferir as súmulas de cada partida”, lembra. “A partir do segundo semestre de 2006, mudei de área e cheguei para ajudar o Rubens”.

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Os dois reformaram os 260 metros quadrados da sala. Dos armários para arquivar os jornais à iluminação interna dentro de cada cristaleira. “Minha mãe, Alice, é bibliotecária e me deu as dicas de como montar a estrutura dos arquivos para facilitar o trabalho dos pesquisadores”, conta Cesar. Valeu a pena tanto esforço? Atualmente, ele diz que o público aparece com mais frequência, mas ainda é minúsculo. A visitação ao espaço é gratuita, sempre monitorada e deve ser agendada para o período da tarde.

Entre diversas taças, bolas e quadros, o museu tem seus xodós: as bolas das finais da Copa do Mundo de 1958 e 1962, a camisa azul do jogador Didi, usada na final do Mundial da Suécia, no primeiro título do Brasil, e uma réplica da Taça Jules Rimet.

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Bola da final da Copa do Mundo de 1958

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Bola da final da Copa do Mundo de 1962

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Camisa do jogador brasileiro Didi, usada na final da Copa do Mundo de 1958 contra a Suécia

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Réplica da taça Jules Rimet

Todos os dias o museu recebe novas doações. Por causa disso, não é possível definir qual é o tamanho exato do acervo. “Meu único pedido é que o quinto andar se transforme todo em museu”, afirma Cesar, que divide o andar com os departamentos de marketing e imprensa. Além de cuidar do museu, ele também tem a função de recolher as bolas da final do Campeonato Paulista. “Faço isso desde 2005”. Ele explica que seis bolas rodam o campo de jogo nas mãos dos gandulas. Quando a partida termina, a missão dele é recuperá-las. “Todo mundo quer a bola da final”, reitera. “Nunca consegui pegar todas elas. Uma sempre acaba ficando com o árbitro ou algum jogador”.

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Ao fundo, as bolas que Cesar corre para recuperar desde 2005

No último Campeonato Paulista, decidido nos pênaltis por Ituano e Santos, César explica que pegou cinco bolas. A última ficou nas mãos de Vagner, goleiro do Ituano, que defendeu a última cobrança. “Os jogadores vieram correndo pedindo as bolas”, conta. “Disse a eles que não poderia entregar. Então, questionaram sobre a bola que estava com o goleiro. Para evitar confusão, fui até ele e peguei a bola, mas garanti que a devolveria mais tarde. Depois das entrevistas, quando os jogadores já estavam indo embora, fui até o Vagner e devolvi a mesma bola que eu, anteriormente havia retirado”.

Um aviso final: durante a Copa do Mundo, as bolas de 1958 e 1962 e a camisa da cor do manto de Nossa Senhora, usada por Didi, estarão emprestadas para a exposição “Brasil 20 Copas”, que será inaugurada no Museu do Futebol no próximo dia 27.

Federação Paulista de Futebol
Rua: Federação Paulista de Futebol, 55, Barra Funda
Tel. 2189-7000
Seg. a sex. das 10h às 19h (as visitas devem ser agendadas. O museu só funciona até às 18h)

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