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RELOGIO ITAU

(Foto: Nilton Fukuda / AE)

A Lei Cidade Limpa, criada em 2007, eliminou todos os letreiros espalhafatosos das ruas de São Paulo. Ou melhor, quase todos. O Itaú ainda tem uma logomarca bem chamativa à vista: a propaganda que fica no relógio do Conjunto Nacional. O banco foi advertido para retirar a logomarca, mas argumentou  que o relógio era tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) desde 2005. O órgão, por sua vez, afirmou que apenas o equipamento publicitário, ou seja, o relógio, era protegido pelo patrimônio histórico, e não a logomarca do Itaú.

O Itaú está gastando um bocado com o impasse. Até agora, a multa acumulada pelo desrespeito à Lei Cidade Limpa já bateu a marca de R$ 20 milhões – mesmo que a marca do banco fique apagada à noite, como acontece desde 2007, quando a lei foi implantada. E há mais gastos para manter o relógio: a cada dois anos, o banco precisa custear os trabalhos de manutenção do equipamento. Na última vez, entre outubro de 2010 e janeiro de 2011, o preço pago pelo banco pelo serviço foi de R$ 1,8 milhão. Também de dois em dois anos, o Itaú precisa fazer a manutenção do heliporto de emergência da laje superior, a um custo de  R$ 500 mil. O consumo de energia elétrica também fica a cargo do Itaú, que ainda precisa desembolsar uma quantia mensal para o Condomínio Conjunto Nacional (o valor não foi divulgado).

O Itaú pediu autorização para o Condephaat para retirar a marca do relógio, e o órgão autorizou em 30 de maio. Mas, até agora, a logomarca não foi removida. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Conjunto Nacional afirmou que “sem o patrocínio, é impossível manter os custos do equipamento”.

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(Reprodução do livro Aero-Willys, o carro que marcou época)

O Itaú não foi a primeira empresa a ostentar sua marca no relógio mais famoso da Avenida Paulista. Em 1962, logo depois de o prédio ser construído, foi instalado um relógio luminoso da Willys Overland, como mostra o recém-lançado livro “Aero-Willys – O Carro que Marcou Época”, de Rogério de Simone e José Antonio Penteado Vignoli, da Editora Aláude. Cinco anos depois, a empresa foi comprada pela Ford, marca que tomou o lugar da primeira no relógio. A Ford ficou com sua marca no relógio até 1975, quando o Itaú comprou o espaço publicitário.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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