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O vitorioso futebol brasileiro nasceu em São Paulo. Muitos dos endereços que contam essa história, no entanto, são desconhecidos dos paulistanos. Não há nada que os identifique. Acabo de voltar de Montevidéu e visitei o local em que havia o Estádio de Pocitos, campo do Peñarol em que o francês Lucien Laurent marcou o primeiro gol da história da Copa. O campo não existe mais. Só que, em 2008, o local ganhou dois marcos que contam essa saga. Um no local que teria sido o meio de campo e outro onde ficava a trave do primeiro gol. Enquanto ninguém faz o mesmo na cidade, o Blog São Paulo para Curiosos preparou dois posts para mostrar pontos de interesse futebolístico espalhados pela cidade. Todos mereceriam também suas placas.

Várzea do Carmo

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O encontro entre a Rua Santa Rosa e a Rua do Gasômetro, no Brás, foi palco do primeiro jogo de futebol do Brasil. Em 14 de abril de 1895, Charles Miller e seus amigos tiraram as vacas do terreno e desenharam um quadrilátero para demarcar o campo. Os funcionários da São Paulo Gás Company foram derrotas pelos da São Paulo Railway, equipe de Charles Miller, em partida que terminou nos 4 x 2. Hoje, o local abriga uma área de pequenos comércios populares.

Esquina da Rua Santa Rosa com a Rua do Gasômetro, Brás
Não existe mais

Chácara Dulley

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Foi este local que abrigou o primeiro campo oficialmente demarcado do Brasil, palco dos primeiros treinos de futebol do país. Originalmente, era um campo de críquete, que foi adaptado para o futebol por Charles Miller – então jogador do São Paulo Athletic Club e sobrinho dos proprietários da chácara – em 1896. Em 1903, os treinos da Chácara Dulley foram transferidos para a Chácara Witte, também no Bom Retiro. A família Dulley vendeu parte da chácara para uma comunidade de freiras salesianas, que montaram o Colégio Santa Inês, até hoje no local. O campo, que nunca recebeu um jogo oficial, se localizava onde atualmente está instalada a Fatec.

Avenida Tiradentes, 615, Bom Retiro
Não existe mais

O templo do futebol amador

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O campo do CMTC Clube foi palco do “Desafio ao Galo”, um dos principais torneios da várzea paulista. O campeonato criado pela Record na década de 70 tinha seus jogos realizados e televisionados aos domingos, às 10h. Inicialmente, as partidas aconteciam nos campos do Juventus e do União Operário, mas foi no CMTC Clube que o torneio atingiu seu auge. O “Desafio ao Galo” continuou sendo televisionado até o final da década de 1990, e disputado até o final da década de 2000.

Avenida Cruzeiro do Sul, 808, Canindé
Tel. 3313-0715
De terça a domingo e aos feriados, das 8h às 17h

Estádio da Ponte Grande

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A primeira casa do Corinthians ficava onde hoje estão as quadras de tênis do Clube de Regatas Tietê, próximo à Ponte das Bandeiras. Inaugurado em 14 de março de 1918, o estádio construído em área cedida pela prefeitura de São Paulo tinha capacidade para oito mil torcedores em pé. Abrigou os jogos do Corinthians até 1927, quando foi vendido para a extinta Associação Atlética São Bento. Em 1935, depois de o São Bento se mudar para São Caetano do Sul, a área foi incorporada pelo Clube de Regatas Tietê. O Corinthians não conquistou nenhum título jogando no local.

Avenida Santos Dumont, 843, Luz
Não existe mais

Igreja da Consolação

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Entre 1935 e 1938, o São Paulo teve dificuldades para encontrar campos para treinar. A situação ficou tão séria que os tricolores foram obrigados a usar os fundos da Igreja da Consolação, então sob responsabilidade do Monsenhor Francisco Bastos, um dos fundadores do clube. Na época, as dependências da igreja da região central da cidade também abrigaram os craques são-paulinos em concentração.

Rua da Consolação, 585, centro
Tel. 3256-5356
Segunda a sexta, das 6h30 às 20h; sábado, das 7h30 às 13h e das 17h às 19h; domingo, das 7h30 às 13h30 e das 17h às 22h

Campo do Lenheiro

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Foi o primeiro campo do Corinthians. Logo após a fundação do clube, em setembro de 1910, seus sócios, a maioria formada por empregados da São Paulo Railway, decidiram alugar por 30 mil réis um terreno localizado nas atuais ruas José Paulino, Ribeiro de Lima e Prates, na região do Bom Retiro. O local era conhecido como Lenheiro, porque seu dono era um vendedor de madeira que usava o terreno para guardar o material de trabalho. Jogadores, diretores e associados capinaram eles mesmos o terreno para a realização dos primeiros treinos da equipe.

Rua José Paulino, Rua Ribeiro de Lima e Rua Prates, Bom Retiro
Não existe mais

Estação do Norte

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Foi na Estação do Norte de trem que Leônidas da Silva desembarcou vindo do Rio de Janeiro em 1942 para se apresentar ao São Paulo. O tricolor pagou 200 contos de réis – na época a maior quantia já gasta por um jogador de futebol – pelo passe do Diamante Negro. A chegada de Leônidas foi um baita acontecimento: cerca de 10 mil são-paulinos lotaram a Estação do Norte (que mais tarde se chamaria Estação Roosevelt, e hoje é conhecida como Estação Brás).

Praça Agente Cícero, s/nº, Brás
Não existe mais

A primeira sede do São Paulo

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O São Paulo ganhou sua primeira sede em 25 de janeiro de 1936, um mês depois de ter sido fundado, em dezembro de 1935. Era um porão precário alugado na Praça Carlos Gomes, próximo à Praça da Sé, no centro da cidade. O local era tão pequeno que os membros do clube tinham de se revezar para participar das reuniões. O endereço foi utilizado até 1937, quando a sede mudou para o 11º andar do Edifício Martinelli, na Avenida São João, onde permaneceu por apenas dois meses.

Praça Carlos Gomes, 38, Centro
Não existe mais

O nascimento da primeira torcida organizada do Brasil

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Em março de 1937, o São Paulo mudou de sede pela terceira vez, para o primeiro andar do prédio número 1001 da Avenida São João, onde hoje fica o número 15 da Praça Júlio Mesquita. O local ficou marcado por ter sido palco da fundação da primeira torcida organizada do Brasil. Lá, o sócio são-paulino Manoel Raymundo Paes de Almeida fundou o Grêmio São-Paulino, que posteriormente mudaria seu nome para Torcida Uniformizada do São Paulo, a Tusp, conhecida pelo entusiasmo das comemorações, sempre repletas de serpentinas e confetes.

Praça Júlio Mesquita, 105, República
Não existe mais

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