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O Sistema Cantareira, que fornece água para 9 milhões de pessoas na  Grande São Paulo, chegou ao pior nível de sua história este ano. O reservatório atingiu apenas 8,2% de sua capacidade utilizável. Nos últimos dias, com o uso da água do volume morto – água que estava sendo armazenada embaixo das bombas -, os níveis subiram um pouco, mas ainda são preocupantes. Bem, isso já foi dito e repetido inúmeras vezes pela imprensa. Para combater o desperdício, funcionários da Sabesp andaram distribuindo cartazetes com dicas para a economia de água. Um deles foi colado no hall dos elevadores de meu prédio. A parte que fala sobre o desperdício de água nos banheiros me deixou um tanto intrigado.

Cartaz da Sabesp mostra as diferenças de gastos

Quem consome mais: água ou apartamento?

Veja que, para casas e prédios, os números são bem diferentes. De acordo com a Sabesp, escovar os dentes com a torneira fechada significa uma economia de 11,5 litros numa casa e 70 litros num apartamento, uma diferença de 58,5 litros. Na hora do banho, fechar a torneira para se ensaboar, gera uma economia de 162 litros num apartamento e 90 litros numa casa. A maior diferença é fechar a torneira ao fazer a barba – 9 litros numa casa e 79 litros num apartamento. Por que tanta diferença? A assessoria de imprensa da Sabesp explica: “A pressão para levar a água para pontos de consumo de apartamentos é maior que a pressão existente em uma casa. O fluxo de água que chega nos apartamentos é maior que o fluxo de água que chega em residências. Com isso, ocorre um consumo maior por parte dos equipamentos.”

O consultor Paulo Costa, especialista em consumo consciente de água, diz que não é bem assim:  “É extremamente relativo, pois a dosagem da Sabesp faz correlação com a pressão da rede de tubulação. Um prédio de 4 andares gasta o mesmo que um sobrado.” Já o encanador André Alves defende que a qualidade dos canos é que podem influenciar essa conta. “Em um prédio de 15 andares, a água sobe e desce violentamente, podendo danificar os canos e  causando vazamentos”, afirma. “Mas, se os canos forem bons, não há maiores gastos entre os dois tipos de residências.”

Mas não é a água que sai pela torneira o que mais preocupa o consultor Paulo Costa. Ele chama a atenção para um outro tipo de desperdício. “O grande vazamento que temos é na parte subterrânea da Sabesp”, apota. “De 26% a 33% da fuga de água existente acontece nas redes hidráulicas da empresa, que não são conservadas nem modernizadas.” A empresa de saneamento básico refuta os números do consultor. “O índice de vazamentos é de 20,3%. Com os investimentos do Programa de Redução de Perdas, a estatística caiu 8 pontos percentuais nos últimos 10 anos”, afirma a nota da Sabesp. “Existem também perdas que impactam no faturamento, como hidrômetros danificados, ligações irregulares e furtos.”

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