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Iniciadas em junho, as obras da Torre Matarazzo, na Avenida Paulista, têm previsão de término para 2015. Até lá, os pedestres que passam pela avenida terão de conviver com os tapumes de metal que cercam o terreno de 12,947 m² que pertenceu à família Matarazzo. Mas, se até agosto as placas trouxeram transtorno (precisaram ser recuadas porque estavam atrapalhando o uso do piso tátil, que facilita a locomoção de deficientes visuais), agora elas são admiradas por quem passa por ali.

Quem transformou os tapumes em obra de arte foi o grafiteiro paulistano Almir Rezende, o Lek, a pedido da Camargo Corrêa  e da Cyrela, responsáveis pela construção do prédio comercial e do shopping center que funcionarão no local. Lek, que tem 39 anos, é o mestre do grupo Revolucionarte, formado por oito artistas. O tema da pintura é “120 Anos de Avenida Paulista”. Há imagens que retratam a cidade desde o final do século 19 até os dias de hoje.

Lek conta que muitas pessoas param para elogiar a pintura e também para tirar fotos do trabalho. O artista criou até uma página no Facebook para reunir as imagens registradas pelos curiosos. A pintura foi iniciada no início do mês passado, e tem previsão para ser terminada no final de novembro. Em entrevista ao Blog São Paulo para Curiosos, Lek deu mais detalhes sobre o trabalho:

paulista

(Foto: Reprodução / www.facebook.com/artepaulista)

Quem criou o desenho?
A criação foi minha. Se tivesse que refazer o layout hoje, provavelmente o desenho seria diferente. Não quer dizer que eu não esteja gostando do resultado, e sim porque estou em uma metamorfose constante. Tenho ideias 24 horas por dia.

A parte da pintura que retrata a Avenida Paulista de hoje mostra várias pessoas interagindo. Tem aperto de mão, passeio com cachorro, crianças brincando… Mas não há nennhum casal namorando. As pessoas não namoram na Paulista?
Na verdade, falta muita coisa. Não dá pra retratar tudo. Mas o amor está presente na íntegra.

Quantas pessoas trabalham na pintura?
Entre 4 e 8 pessoas, dependendo do dia. Trabalhamos 8 horas por dia.

Serão quantos metros de tapume pintados no total?
Na Paulista, a medida é 110 x 4 m. E tem mais a Pamplona, com 110 x 3,5 m.

Qual a quantidade de tinta que será usada até o final?
Ah, nós não pensamos nisso. Nem terminamos o trabalho ainda. A gente está se divertindo, não nos preocupamos com isso. É coisa de artista, somos assim mesmo. (risos)

Até o término das obras, a pintura continuará a mesma ou há algum projeto para fazer outras imagens?
A princípio, não há nenhum projeto. Mas seria uma boa ideia!

Não tem medo que algum pichador estrague o trabalho?
Se pensarmos dessa forma, não realizaremos mais nada. Dá pra sentir o quanto a população está agradecida com a nossa presença e com o resultado do projeto. Isso me encanta! Quando terminarmos o trabalho, ele será da população.

Você já fez algum trabalho com tanta visibilidade na cidade?
No ano passado, fiz um mural perto da sub-prefeitura do Jabaquara em comemoração à Copa. Pintei o Ronaldo, o Garrincha e o Pelé. Tinha também as pinturas do buraco da Paulista (túnel que liga as avenidas Doutor Arnaldo e Paulista), reproduzindo obras do Modernismo Brasileiro, mas já foram cobertas. Fiz também na avenida Juscelino Kubitschek com a Marginal Pinheiros, no mesmo estilo do buraco, em 2003. O buraco foi muito importante, mas esse trabalho na Paulista, sem dúvida, é o melhor que já fiz.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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