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Há 35 anos, quando Heloísa Monteiro da Silva começou a produzir brownies, praticamente não existia mercado desses característicos bolinhos de chocolate em São Paulo. “Eu só fazia brownies do sabor tradicional e vendia cerca de 200 pedaços por mês para um único supermercado”, recorda-se. Hoje, Heloísa, aos 58 anos, é uma das pioneiras na produção do doce na cidade. Para atender aos 400 clientes fixos da Helô Doces, na Vila Madalena, ela usa, por mês, 900 quilos de chocolate, 1 tonelada de açúcar e 8 mil ovos. Seus quitutes são distribuídos em supermercados, restaurantes e docerias. “Um dos segredos é fazer tudo artesanalmente. Eu não tenho linha de produção”, conta a chef, que trabalha ao lado de outras nove funcionárias.

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Produção de brownies no ateliê da Helô Doces

A variedade de sabores produzidos por Heloísa também aumentou. Hoje, são feitos seis, além do tradicional: Nutella, doce de leite, damasco, brigadeiro, macadâmia e cappuccino, todos disponíveis em dois tamanhos (500 e 250 gramas). O sabor de damasco, o favorito de Heloísa, custa R$ 31 (500 g) e R$ 16 (250 g). O bolo de brownie, outra opção do cardápio, sai por R$ 49 o quilo. “Nunca mudei uma vírgula da receita original; até hoje uso a mesma marca de chocolate”, conta a chef.

Desde 2008, a chef Priscila Brunsfeld, 38 anos, dá aulas de confecção de brownies na escola Make the Cake. “No começo, a procura era pequena, mas, do ano passado para cá, o número de interessados triplicou”, calcula Priscila. Hoje, a modalidade é a segunda mais procurada pelos alunos. “As pessoas estão viajando mais e descobrindo novos doces; quando retornam, querem aprender como fazer”, opina. As sócias Tess Abreu e Cláudia Rocha aproveitaram essa febre para abrir a Adoro Brownie, conhecida pela variedade de sabores. Em 2012, eram nove; hoje, já são 14. No empreendimento localizado na Vila Olímpia, são vendidos 5.000 brownies vendidos por mês. Os mais procurados – Nutella e doce de leite – saem por R$ 8 a unidade grande e o mais inusitado deles, de whey protein, custa R$ 9. “Consumo bastante whey protein e queria fazer um doce que levasse esse ingrediente”, justifica a chef , praticante de wakeboard. O sabor tem 12 gramas de proteína.

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Brownie de chocolate amargo com pedaços de chocolate branco da Adoro Brownie

Há dez meses, foi aberta nos Jardins a primeira franquia paulistana da loja Brou’ne, de Campinas, comandada pelo engenheiro eletrônico Renato Mantagnaro, de 35 anos. Depois de trabalhar ao longo de uma década na Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), ele pretende decolar com o novo negócio. “O consumo está grande, principalmente no horário depois do almoço”, comemora, contabilizando a venda de cerca de 600 brownies mensais. Dos 20 sabores da loja, o mais concorrido também é o de Nutella, ainda que Renato eleja o de chocolate branco como seu preferido. Ao todo, são sete tipos de massa: chocolate ao leite, trufado com nozes, chocolate meio amargo, integral, diet, sem glúten e chocolate branco. O doce é vendido por quilo: 100 gramas custam R$ 10,80 (regular), R$ 13,80 (sem glúten) e R$ 18 (diet). O empreendimento deu tão certo que a loja logo terá companhia. “A marca tem um espaço reservado no shopping Cidade São Paulo [que está sendo construído na Avenida Paulista]. Mas não sou eu o proprietário”, revela Renato.

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Brownie Ala Mode: dois pedaços acompanhados com sorvete de baunilha

Aproveitando o gosto pela cozinha e pelo chocolate – além da febre dos brownies, é claro – a paulistana Manuela Giacomelli, 32, decidiu no ano passado que montaria seu próprio negócio. Ela alugou um espaço de 22 metros quadrados, no piso Jardins do shopping Pátio Paulista. Lá, quando as reformas da expansão no shopping estiverem concluídas, ela vai inaugurar a Brownicky Gourmet. Para se especializar na produção de brownies, Manuela fez um curso de gastronomia no Senac. “Depois, testei os produtos em vários chás da tarde em minha casa”, conta. A nova mestre-cuca desenvolveu dez sabores: tradicional, floresta negra, nozes, meio amargo, Oreo, M&M’s, X-Shake, Nutella, macadâmia e gotas de chocolate branco.

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A paulistana pretende inaugurar em breve um site para vender seus brownies por encomenda. “Serão pedaços de 65 gramas com embalagens para duas, quatro ou seis unidades”.  A cozinheira oferecerá também um bolo de brownie de quatro quilos. “Demorei seis meses para chegar a uma receita sem conservantes cuja massa fosse macia sem ser gordurosa”.

Improvisar receitas, por sinal, faz parte da história do brownie. O surgimento do doce é impreciso, mas, segundo a versão mais famosa, ele teria sido criado depois que, em 1909, uma distraída cozinheira americana se esqueceu de colocar fermento em um bolo de chocolate. Para não desperdiçar todo o serviço, ela cortou o bolo em pequenas fatias e serviu assim mesmo. A receita recebeu o nome de “brownie” em homenagem a um popular escritor do início do século 20, Palmer Cox, que ficou famoso pela publicação da série de livros infantis chamada Os Brownies.

Serviço

Adoro Brownie
R. Gomes de Carvalho, 116, Vila Olímpia
4112-4842

Brou’ne
Rua da Consolação, 3283, Jardins
3061-1721

Brownicky
Facebook

Helô Doces
Rua Lira, 75, Vila Madalena
3814-4854

Make the Cake
Rua Afonso Sardinha, 599, Lapa
2597-1811

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