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Se, para os ocidentais, comer um prato de lentilha ou doze uvas na passagem do ano atrai felicidade,  para os japoneses a tradição é outra. Na manhã da próxima terça-feira, dia 1º, famílias nipônicas farão a primeira refeição do ano e, nela, estará o moti. O alimento é um bolinho branco, feito apenas com arroz.

“É quase obrigatório para uma família japonesa consumir o moti nesse dia”, afirma o nissei Fernando Masayuki Kanazawa. Em 1967, seus pais, Eiko e Hidetaka, inauguraram a loja de doces japoneses Kanazawa, que continua até hoje no mesmo endereço no bairro da Liberdade. Desde a inauguração, vendem o moti na região. O maior volume de vendas é no final de dezembro. Fernando estima que a procura pelo bolinho aumente mais de dez vezes nessa época.

Não é com qualquer arroz branco que se faz moti. “O arroz comum viraria uma pasta quando amassado”, afirma Kanazawa. Para o bolinho, é usado o mochigome, arroz glutinoso, que permite que a massa seja moldada em diversos formatos. O mais tradicional, que é vendido na loja, é redondo, mas existe também o moti quadrado, consumido na região de Tóquio. Por R$ 8, o cliente leva um pacote de 500g, o suficiente para quatro pessoas.

A tradição afirma que comer o bolinho no primeiro dia de janeiro garante felicidade para o resto do ano. Kanazawa tem uma versão mais poética. “Os grãos de arroz ficam separados, mas se juntam no moti”, afirma. “Por isso, ele é consumido nas ocasiões em que pessoas queridas se unem.” O moti pode ser consumido sozinho, mas também faz parte de uma tradicional receita de ano-novo, a ‘ozoni’, uma sopa feita de caldo de peixe, algas marinhas e o bolinho de arroz.

Serviço:
R. Galvão Bueno, 379, Liberdade, 3207-1801

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de André Lessa/Estadão)

 

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