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Para muitos empreendedores, a onda das paletas mexicanas foi um balde de água fria. Em maio de 2015, o Blog do Curioso mapeou as 136 paleterias espalhadas pela cidade – sem contar ainda os freezers em lanchonetes, supermercados e até bancas de jornal. Era o auge do negócio, que não demorou a despencar. Várias delas chegaram a festejar o primeiro aniversário e fecharam as portas logo depois. Então, ficamos nos perguntando: como está hoje a Los Hermanos, a primeira paleteria da cidade? A loja, aberta em Santana, chegava a ter filas de mais de meia hora nos finais de semana. “Tenho certeza que todos que abriram depois de mim passaram na minha loja e provaram a paleta da Los Hermanos”, diz Marco Aurélio Menzani, sócio e diretor geral da empresa. “Muitos acharam que, com um curso de sorvete e uma forminha de 120 gramas, já podiam investir numa paleteria”.

Logo na época da inauguração, em janeiro de 2014, os quatro sócios da Los Hermanos decidiram que não abririam filiais no primeiro ano de vida. No começo, eles chegaram a vender 100 mil paletas por mês. Não foi à toa que começaram a pipocar outras lojas em tão pouco espaço de tempo. Com o aumento da concorrência, Menzani calcula que o movimento caiu 35%.

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Em busca de renovação, a Los Hermanos criou uma linha de paletas inspiradas em sobremesas famosas, como o merengue de morango

Hoje, a Los Hermanos conta com mais duas lojas próprias – uma em Ubatuba, no litoral norte, e outra no Outlet Premium, na Rodovia dos Bandeirantes, em Itupeva. A marca chegou a ter outras três unidades, que já não existem mais (Parque Shopping Maia, em Guarulhos, e outras duas na Avenida Paulista, na Galeria Paulista 2001 e no Shopping Cidade São Paulo). As três encerraram as atividades no início deste ano. “Os locais em que apostamos não vingaram”, explica Menzani. “Estávamos esperando um fluxo de pessoas, que não chegou a acontecer. Isso é normal no mercado de varejo. Nunca pensamos em acabar com o Los Hermanos e não faremos isso”.

Para se manter no mercado, a Los Hermanos fez algumas adaptações ao longo do tempo. Criou a linha “Ligeirinha”, com menores (70 gramas) e mais baratas (4 a 6 reais). Lançou ainda novas linhas, como Postre (sobremesas), Diet, Detox e Caipirinha, que se juntaram às tradicionais Frutas, Cremosas e Recheadas. A Los Hermanos tem como sócia a diretora comercial Rô Santos, cuja família vende paletas no México há 40 anos.  “Teve gente que experimentou paleta num lugar ruim e isso acabou gerando um problema para quem tem um bom produto”, analisa Menzani.  “Para fixar uma moda no mercado é preciso fazê-la competir com as demais opções existentes no país”, afirma José Carmo Vieira, consultor do Sebrae. “Sem planejamento e avaliação prévia da concorrência não tem como dar certo”.

Para o inverno deste ano, a Los Hermanos está trabalhando com uma estimativa de 18 mil paletas por mês. O verão terminou com uma média de 30 mil. Mas a fábrica, que tem capacidade para produzir 3 milhões de paletas por mês, está abastecendo 200 pontos alternativos espalhados em todo o Estado de São Paulo. “Paleta não é moda”, afirma Menzani. “Elas caíram no gosto do brasileiro e não irão sair do mercado tão fácil assim”.

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