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Parecia bom demais para ser verdade. As lojas de amostras grátis inauguradas em São Paulo em 2010 seguiam modelos de sucesso no exterior, como a SamplePlaza, na China, e a SampleU, nos Estados Unidos. O cliente cadastrado podia retirar um determinado número de produtos para experimentar, sem pagar nada, desde que preenchesse questionários avaliando os itens depois do consumo.

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Não faltava procura. Mesmo assim, duas lojas de amostras grátis fecharam as portas – a Sample Central, na Rua Augusta, e o Clube da Amostra Grátis, na Vila Madalena. De acordo com Fernando Figueiredo, um dos proprietários da Sample Central no Brasil, o problema foi a falta de investimento das marcas parceiras.

As amostras eram fornecidas pelas fabricantes, que recebiam em troca questionários preenchidos pelos clientes-cobaia. No começo do negócio, diz Figueiredo, os produtos eram enviados sem que as companhias tivessem que pagar. “Era um sistema de trial, ainda não cobrávamos nada pela pesquisa”, explica. O problema aconteceu no momento em que o serviço passou a ser cobrado das empresas. “Poucas fabricantes queriam investir porque achavam que o público pesquisado era muito segmentado”, afirma Figueiredo. “Para ter uma ideia melhor do mercado, era preciso ter amostragens maiores”. O resultado foi uma queda no número de empresas parceiras.

Enquanto isto, o número de frequentadores do Sample Central só aumentava. A expectativa era de angariar 20 mil associados em um ano. Em quatro meses, no entanto, a lista de clientes já trazia 50 mil nomes. Era preciso agendar horário para frequentar o local e conhecer as amostras grátis. “Em pouco tempo, o negócio ia se tornar inviável”, conta Figueiredo. Por isso, o grupo Talkability, responsável pelo projeto, decidiu fechar a loja na Rua Augusta.

O conceito do Sample Central foi transportado para o site Amostra Click, que está em desenvolvimento e será lançado ainda em 2012.  De acordo com o empresário, a vantagem do site em relação à loja é a possibilidade de acesso em qualquer lugar do Brasil. O cliente escolhe as amostras, que serão entregues em sua casa. “Desta maneira, as empresas recebem dados da opinião de consumidores de características diversas.”

Luiz Gaeta, idealizador do Clube da Amostra Grátis, conta que foi necessária uma mudança de estratégia: “O número de assinaturas que tínhamos estava grande demais para a quantidade de produtos disponíveis para teste”, afirma. A situação só piorou quando venceu o contrato de aluguel do imóvel ocupado pelo estabelecimento. Gaeta não encontrou um imóvel adequado para o novo endereço, o que resultou no encerramento das atividades da loja física em março.

Mesmo sem um endereço, o Clube da Amostra Grátis não deixou de existir. Pelo menos, é o que afirma Gaeta. “Ainda estamos enviando produtos a alguns usuários cadastrados, de forma gratuita, mas de acordo com seu perfil de consumidor”, diz. “Assim, atingimos diretamente o público-alvo das empresas”. Gaeta afirma que está em desenvolvimento um site para que sejam efetuados novos cadastros. Desta vez, tudo será gratuito – antes, era preciso pagar uma anuidade de R$ 50. O proprietário garante que esta taxa foi restituída a quem não pôde retirar produtos depois que a loja física fechou.

(Com colaboração de Míriam Castro e foto de Nilani Goettems/AE)

 

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