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Inaugurado em setembro de 2001, o Teatro Folha, no Shopping Pátio Higienópolis, esperou para comemorar seu aniversário de dez anos depois de passar por uma grande reforma. O espaço está fechado desde fevereiro, mas reabre na sexta-feira (6) com a estreia de “Equus”. A peça, escrita em 1973 pelo inglês Peter Shaffer, é dirigida por Alexandre Reinecke e estrelada por Elias Andreato e Leonardo Miggiorin.

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É a quarta montagem de “Equus” no Brasil. A primeira, em 1976, teve Ewerton de Castro como Alan Strang, um garoto responsável por cegar seis cavalos, e Paulo Autran como Martin Dysart, o psiquiatra que tenta descobrir o motivo do crime. Em 2007, o texto ganhou notoriedade no público geral porque Daniel Radcliffe, o Harry Potter dos cinemas, ficou totalmente nu durante alguns momentos da peça.  Na nova montagem, esse papel caberá a Miggiorin.

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O ator, que nunca tinha ficado nu em frente a uma plateia antes, teve que superar o obstáculo durante todo o mês de março, época que o espetáculo ficou em cartaz na cidade de Campinas (SP). Não é só ele que tira as roupas no palco –  é acompanhado pela atriz Bruna Thedy, que interpreta Jill,  namorada de Alan.

Miggiorin, que está concluindo a Faculdade de Psicologia e acabou de fazer o personagem Roni na novela Insensato Coração, contou ao Blog do Curiocidade mais detalhes sobre sua preparação para a peça:

O que foi mais difícil: preparar o corpo para a peça ou preparar a mente para representar Alan Strang?
As duas coisas deram bastante trabalho. O corpo precisava estar bem preparado. Não apenas para ficar bem na cena de nudez, mas para todos os momentos da peça. Por mais que o espetáculo tenha apenas uma hora e meia de duração, eu fico em movimento intenso o tempo todo. Poderia dizer que é uma espécie de maratona. A cabeça também tem que estar preparada, já que o personagem é muito complexo. Depois da peça, fico cansado no corpo e na mente.

Como foi a preparação para ficar nu no palco?
No começo, eu estava um pouco preocupado quanto a isso. Pensei que fosse me acanhar e prejudicar a cena. Porém, o diretor me permitiu seguir meu próprio tempo e ir me soltando aos poucos. Com os ensaios, ainda sem tirar a roupa, me dei conta de que meu corpo é um instrumento de trabalho e, no palco, é isso que deve ser levado em conta. A partir daí, decidi que tinha que ensaiar a cena despido antes de estrear em frente à plateia.

Depois de um mês em cartaz em Campinas, você conseguiu espantar esse acanhamento?
Na verdade, não cheguei nem a senti-lo como imaginava, já que o momento em que tiro a roupa é muito envolvente na questão emocional. No palco, estou tão imerso no personagem que já não sou eu me despindo, mas o Alan. A ação acontece de forma muito natural, não é algo colocado na peça gratuitamente.

A peça ficou famosa na mídia nos últimos anos por causa da nudez de Daniel Radcliffe. Você acha que a versão brasileira pode atrair mais pessoas para a primeira fila pelo mesmo motivo?
Acho que não, porque o nu não é algo que choca nos dias de hoje. Mesmo assim, se existe repercussão por conta da nudez dos atores, eu tenho que ficar feliz. Não fizemos nenhum tipo de divulgação apelando para esta característica, mas o público tem direito de se interessar por qualquer elemento do espetáculo. Se as pessoas forem assistir à peça, fico satisfeito.

Já aconteceu algum tipo de gracejo da plateia durante as cenas de nudez?
Por enquanto, não aconteceu nada do tipo. O público fica muito concentrado durante esse momento, pois é uma das partes cruciais da peça. Sempre pedimos para que a plateia faça silêncio ao longo da apresentação, já que cada ruído, cada luz de celular acesa pode diminuir a mágica do momento. Se acontecesse algum gracejo do tipo, eu teria que encontrar uma saída para isso e continuar o espetáculo normalmente. Acho que essa é a mágica do teatro.

Serviço:
Equus
Teatro Folha – Av. Higienópolis, 618, Consolação
6/4 a 1º/7
6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 20h.
R$ 40/ R$ 60

(Com colaboração de Míriam Castro)

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