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Munida de botas, luvas, um chapéu, uma enxada e um balde de insumos, a economista Christine Munhoz, de 36 anos, passa todos os dias pela Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Lá, fica uma das dez hortas comunitárias do projeto Hortelões Urbanos, que pretende integrar os paulistanos ao plantio coletivo. O projeto, idealizado pela jornalista Cláudia Visoni, de 48 anos, surgiu em 2011. “Nas minhas pesquisas sobre questões ambientais, percebi que produzir o próprio alimento será fundamental no futuro”, justifica. Pensando nisso, criou, junto à também jornalista Tatiana Achcar, um grupo no Facebook que hoje contabiliza mais de 12 mil participantes. Bastou para que as hortas comunitárias surgissem espontaneamente. “Conversamos com a subprefeitura e pedimos autorização para começar o plantio em terrenos que não estavam sendo utilizados”, conta Cláudia.

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Horta comunitária na Avenida Paulista

Qualquer pessoa que passar pela rua e encontrar uma horta comunitária pode colher os alimentos que lá estão. “No entanto, é bom lembrar que não se trata de um projeto de abastecimento, mas uma tentativa de aproximar as pessoas de um meio ambiente mais natural”, alerta Cláudia. “É também importante ter cuidado para não machucar ou matar a planta”. A jornalista é responsável pelos cuidados da Horta das Corujas, na Vila Madalena. “No começo, os vizinhos estranharam a ideia, mas com o tempo foram se habituando”. O espaço de plantio é grande: são 800 metros quadrados, no total. “O maior desafio é encontrar voluntários que realmente estejam a fim de pôr a mão na massa”.

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Horta da Coruja, na Vila Madalena

A horta da Avenida Paulista tem tamanho mais modesto. “Plantamos em uma circunferência com um raio de oito metros e uma profundidade de apenas 50 centímetros”, detalha Christine. A economista comemora o fato de os voluntários honrarem as três regadas semanais de que as plantas necessitam. “Também contamos com a ajuda de moradores de rua, que consomem parte do que a horta produz”. Como a horta da Paulista não tem fonte de água natural, o grupo depende das doações dos moradores de prédios da região, que também se mostram colaborativos. Entre outros itens, a horta da Paulista produz manjericão, babosa, maracujá, morango, tomate, peixinho, erva cidreira e espada de São Jorge.

Para participar do grupo de hortelões, basta entrar em contato com os organizadores do projeto via Facebook ou aparecer no mutirão mensal de manutenção das plantações, realizado em todas as hortas, na manhã do primeiro domingo de cada mês.

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