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A Rua Clodoaldo José, no bairro do Jaraguá, ganhou esse nome em dezembro de 1980. O decreto foi publicado sem nenhum glamour, na forma de uma lista com várias ruas do mesmo bairro que haviam acabado de ser denominadas: “Ficam oficializados os logradouros abaixo relacionados, situados no 4º distrito – Jaraguá […], com as seguintes denominações: […] Clodoaldo José – a ‘Rua 2’, também conhecida por ‘Índios Termiminós’ (Quadras 037 e 039). Começa na Estrada Municipal, também conhecida por ‘Entrada de Taipas’, e termina junto às vielas ’22’ e 23′”. O texto não traz uma pequena biografia da personalidade – como costuma acontecer em decretos de denominação de logradouros.

O Dicionário de Ruas, site do Departamento de Denominação de Logradouros Públicos que reúne dados biográficos sobre pessoas que viraram nomes de rua, tem apenas a seguinte informação: “Verificado o processo administrativo referente à oficialização da denominação do logradouro público, foi constatado que não houve a justificativa a respeito do nome escolhido, ficando prejudicada a coleta de informações”.

A rua é residencial. Entre os moradores, ninguém sabe quem foi Clodoaldo José, como conta o encanador Alberto Carlos Mesquita Teixeira, de 45 anos, que mora ali há mais de dez anos. “Nem imagino”, diz ele. A reportagem do Blog do Curiocidade colocou fim ao mistério: Clodoaldo José foi um importante radialista paulistano e é pai do jornalista Cléber Machado, da Rede Globo.

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(Foto: Arquivo pessoal/Cléber Machado)

Clodoaldo José Machado nasceu em São Paulo no ano de 1931. Trabalhou durante 22 anos na Rádio Bandeirantes. Fez trabalhos também para a Rádio América, que na época era ligada à mesma emissora. O radialista criou o programa “Arquivo Musical”, que é exibido até hoje. Passou pelas funções de discotecário, produtor (produziu “Mil discos é o limite”, do Humberto Marçal, um programa de grande sucesso na época), assistente do diretor artístico e diretor artístico. Clodoaldo lutou por dois anos contra um câncer linfático (Mal de Hodgkin), chegando a se tratar em Stanford, na Califórnia, em 1970. Morreu em 1971.

Cléber Machado conta que, quando o nome do pai foi parar na placa de denominação da rua do Jaraguá, a família sequer foi comunicada. No entanto, o irmão de Cléber, Cleiton Machado, já sabia da existência da rua. Cléber diz que achou a homenagem “bem simpática”.

O jornalista conta que a convivência com o pai influenciou sua escolha pelo jornalismo. “Como meu pai era muito caxias, lembro que sempre passávamos na rádio nas manhãs de domingo, a caminho da casa da minha avó paterna”, diz Cléber, que tinha 9 anos quando o pai morreu. “Sem dúvida, crescer nesse ambiente, tendo contato com as pessoas da emissora, influenciou a minha escolha. Até a televisão entrar na minha vida, eu tinha certeza de que seria um profissional de rádio”.

O primeiro registro profissional de Cléber foi justamente na Rádio Bandeirantes, emissora em que Clodoaldo José trabalhou. O filho trabalhou na emissora entre abril de 1979 e junho de 1980. “Acabei, por coincidência, vindo a trabalhar na mesma sala onde ele já havia trabalhado como diretor artístico”, lembra.

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(Foto: Zé Paulo Cardeal / Divulgação TV Globo)

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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