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A exposição “Sim, Pode Tocar” traz 24 esculturas do artista plástico japonês Yutaka Toyota, de 83 anos.  As obras foram projetadas especialmente para deficientes visuais. Ou seja: os visitantes podem tocar livremente  todas elas. Sensores instalados nas peças indicam a aproximação de um novo espectador. Imediatamente um sistema sonoro emite músicas relacionadas às esculturas. Uma das peças é a metade de um arco-íris, que simboliza a imigração japonesa para o Brasil. Ela é uma réplica da escultura instalada no Porto de Yokohama, no Japão, e que está virada para a direção do Brasil. Ao tocá-la, a peça emite sons de apitos e vozes, como se a pessoa estivesse no porto. A outra metade do arco-íris será instalada em São Paulo e será apontada para o Japão.

A exposição, que já passou por Juiz de Fora (MG), Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza e Recife, fica no Centro Cultural dos Correios, dentro da agência do Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, até o dia 10 de abril. “A procura está baixa, muito menor que em outras cidades”, lamenta Beatriz Van Tol, 53 anos, mulher de um dos responsáveis pela instalação do sistema de áudio da mostra. No primeiro mês, apenas 1000 pessoas passaram pelo local. “Os próprios Correios demoraram para começar a divulgação”.  As obras são exibidas de terça a domingo, das 11h às 17h. A entrada é gratuita. O endereço do Centro Cultural dos Correios é Avenida São João, s/nº. Telefone: 3227-9461.

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Espaço Arco-Íris, por Yutaka Toyota

A iniciativa de interação pode servir de inspiração para outros centros culturais paulistanos.  O Blog São Paulo para Curiosos selecionou três museus da capital que disponibilizam monitores para visitas agendadas, atividades recreativas permanentes e exposições interativas e acessíveis aos deficientes visuais.

PINACOTECA

Localizada ao lado da Estação da Luz, no centro de São Paulo, a Pinacoteca adotou o slogan “Museu para Todos”. Em 2003, o espaço desenvolveu o “Programa Educativo para Públicos Especiais”, coordenado por Marcelo Araújo, na época diretor do museu e atualmente Secretário Estadual de Cultura. “Sempre nos preocupamos mais com qualidade do que com quantidade”, explica a artista especializada em deficiências Christina da Silva Costa, a Kika, 41 anos, que há nove trabalha no projeto.  Ela explica que a coordenação seleciona duas obras expostas por sala e cria miniaturas tridimensionais.

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Em 2009, o museu ampliou o projeto para atender visitas autônomas. O deficiente visual pode chegar em qualquer horário no museu e visitar as exposições. Tudo funciona com um áudio-guia, que acompanha algumas peças do museu. Depois do auxílio para colocar os fones, o visitante fica sozinho ouvindo instruções e analisando o material. “Teve um garoto surdo e mudo que depois de tanto tocar as peças reproduziu algumas obras em massinha”, lembra Kika. O agendamento de visitas monitoradas acontece de terça a sábado das 10h às 18h.

MUSEU DO FUTEBOL

O Museu do Futebol funciona dentro do Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, desde 2008. É desta época a criação do “Programa de Acessibilidade do Museu do Futebol” (PAMF).  A ideia é interagir com diferentes deficiências no campo social, físico, arquitetônico e intelectual.  No início de cada mês (segunda a sexta, das 8h30 às 12h30), são abertas as inscrições para visitas monitoradas. Educadores coordenam o passeio que tem 1h30 de duração. Monitores trabalham no museu todos os dias para auxiliar nas visitas autônomas, que também são acompanhadas por um áudio-guia.

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Há quatro anos, o museu inaugurou o projeto “Deficiente Residente”. Uma vez por ano, duas pessoas com diferentes deficiências são convidadas para conviver durante algumas semanas com funcionários do museu. A ideia é que elas apontem quais devem ser as melhorias para aumentar a acessibilidade do local. “É necessário fazer um projeto ‘com’ e não ‘para’ a pessoa com deficiência”, afirma Ialê Cardoso, coordenadora do Núcleo de Ação Educativa do Museu do Futebol.  O Museu do Futebol já trabalhou com deficientes visuais, intelectuais e auditivos. Este ano, o projeto está dedicado a deficientes físicos. Em 2015, ele receberá pacientes psiquiátricos.

MUSEU DA CASA BRASILEIRA

“É exatamente a mesma visita, porém ela não é vista, e sim tocada”, conta Daniel Gonzales, de 31 anos, um dos educadores do Museu da Casa Brasileira. O projeto para ampliar a acessibilidade do museu teve início há seis anos. Todo o acervo exposto no local é tátil e há também obras representadas tridimensionalmente. Os visitantes colocam luvas de polietileno antes de começar a visita. Daniel explica que o material das luvas não retira a sensibilidade tátil do deficiente visual.  Desde 2010, o museu tem parceria com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). A associação desenvolve encontros e oficinas que reúnem diferentes tipos de deficiências ao mesmo tempo no museu. Além de visitar a exposição, os integrantes fabricam produtos artesanais e depois os levam para casa. “Trabalhar com educação é mais aprender do que ensinar”, completa ele. De terça a sábado, das 10h às 18h, as visitas monitoradas podem ser agendadas por telefone.

 

Serviço

Pinacoteca
Praça da Luz, 2, Luz
Tel. 3324-1000
www.pinacoteca.org.br

Museu do Futebol
Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), na Praça Charles Miller, s/nº
Tel. 3661-1407
www.museudofutebol.org.br

Museu da Casa Brasileira
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705 – Itaim Bibi
Tel. 3032-3727
www.mcb.org.br

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