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Como curioso profissional, conheci nos últimos 20 anos especialistas nos mais diferentes e inusitados assuntos. Um dos mais recentes foi o Wander Moio, 40 anos, que se apresentou numa manhã de sábado, em plena Avenida Paulista, como “estudioso em sinos” desde 1979. Ele me contou que estava fazendo o site “Sinos e Campanários – Em resgate da arte sineira”, que acaba de entrar no ar. Nem é preciso explicar muito o que os curiosos encontrarão por lá. O amor pelo tema foi tanto que Wander, formado em Administração, começou a trabalhar numa fábrica de sinos há 1 ano e meio. Da casa onde morava, no número 161 da avenida Doutor José Higino, no bairro da Mooca, ele conseguia observar a torre da Igreja São Pedro Apóstolo. Com 5 anos, a diversão já fazia parte de sua rotina. “Um pouco antes de o sino soar, eu já estava à porta, olhando fixamente para a torre e aguardando o início do espetáculo”, lembra. “Às vezes minha mãe me levava até a torre, onde eu observava o movimento dos sinos por um ângulo diferente e ouvia o som mais intenso”.

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Wander Moio no campanário da antiga Sé do Rio de Janeiro, junto ao sino de 1621

O campanólogo já visitou sinos espalhados por diversas cidades brasileiras. “A primeira coisa que faço quando viajo é procurar igrejas que tenham sinos”, explica. “O mais interessante é que agora, como pesquisador, eu consigo convencer os padres a me deixarem subir nas torres”.

Como são pouquíssimos os livros existentes sobre sinos, Wander baseia sua pesquisa em visitas às fábricas de sinos e em entrevistas com padres e restauradores. Ele está lançando também o “Passeio dos Sinos”. Com duração de duas horas e meia, o tour (R$ 30 e turmas de até 20 pessoas) visitará o centro antigo de São Paulo, passando por pontos como a Catedral da Sé e o Pátio do Colégio. O trajeto terminará na Loja Fábrica de Sinos de Piracicaba, lugar onde ele trabalha. Ali ele exibe, com orgulho, um sino de 75 quilos, que está em exposição.

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O campanólogo junto ao sino de 75kg, que está em showroom na Fábrica dos Sinos de Piracicaba

Wander ainda mora no Alto da Mooca, mas agora em outro endereço. De sua nova casa, ele ainda consegue avistar a torre de Igreja São Pedro Apóstolo. Mas ela está bem diferente do que era 35 anos atrás. O sino não está mais à vista. Janelas de alumínio fecharam a torre. O sonho do especialista é conseguir um patrocínio para deixar a torre com a cara antiga. “O sino é que dá vida à torre”, finaliza.

 

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