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Dora Elvira Bottger, 72 anos, filha de alemães, vive em companhia da cachorrinha Lina e de seus lápis, canetas e pincéis, que a tornaram uma das principais calígrafas da cidade. Dora fez, por exemplo, o Diploma da Fraternidade, entregue ao papa João Paulo II, em 1985; o diploma de “Acadêmico Honoris Causa”, outorgado ao papa Bento XVI pela Academia Paulista de Letras, em 2007, e todos os diplomas de “Professor Emérito” e “Doutor Honoris Causa”, entregues pela Unicamp nos últimos 25 anos.  Dora guarda uma cópia de todos os recibos que entregou aos clientes. No total, até o ano passado, ela contabilizou 3.275 trabalhos. Além disso, desde 1985, oferece curso de caligrafia profissionalizante. Cerca de 1.500 alunos já se formaram com aulas ministradas e desenvolvidas por ela.

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Dora Bottger já formou 1 500 alunos em seu curso de caligrafia

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Canetas usadas por Dora em suas produções

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Papa Bento XVI recebe diploma que teve a marca registrada de Dora

A vocação para a caligrafia nasceu no segundo endereço da família, uma casa na Rua Timóteo Penteado, em Guarulhos.  “Eu tinha 6 anos na época”, lembra. “Meu pai estava sentado na beirada de um poço, escrevendo no verso de algumas fotos. Sentei ao lado dele e fiquei observando”.  Dora se emociona ao repetir a frase dita pelo pai: “Olha, filha! Fica fino e fica grosso”, apontou para as letras góticas à medida que as escrevia com uma caneta. “Nesse momento nasceu minha profissão”, afirma ela. “Daquele dia em diante, procurava por letras para onde quer que olhasse”.

Hellmut e Anita, os pais de Dora, se conheceram na Alemanha. Os dois faziam parte de uma igreja protestante e vieram em 1936 para Curitiba, em uma viagem missionária junto com outros evangelizadores. Os dois se casaram no ano seguinte já no Brasil. Dois anos depois e com dois filhos, o casal se desligou da missão, deixou o Paraná e mudou-se para o interior de São Paulo. Em 1941, agora na capital, eles fundaram a Igreja Missionária do Brasil. Dora nasceu no ano seguinte na Rua Ana Benvinda de Andrade, em Santana.

Dora começou a trabalhar aos 17 anos numa fábrica alemã, mas ficou poucos meses no serviço. A parada seguinte foi num laboratório de microbiologia. “Fazia todas as horas extras e nas folgas traduzia bulas do alemão para o português”, conta. Foi ali que conheceu Roberto, chefe do departamento de comprimidos e seu futuro marido. Casaram-se em 1963 e tiveram cinco filhos num espaço de nove anos (eles estão separados desde 1986). Em janeiro de 1968, Dora começou a apresentar seu trabalho de caligráfica. Fez os primeiros diplomas para escolas do bairro do Ipiranga, onde morava, e salões de cabeleireiro, que ofereciam cursos profissionalizantes.  “Uma tia, que morava na Alemanha, me mandava algumas tintas caríssimas”, diz. “Eu fiz os primeiros trabalhos com ela, ainda que o valor pago por eles fosse bem baixo”.

 

Serviço

Rua: Dr. Mário Vicente, 1698, Ipiranga
Tel. 5063 – 3975

 

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