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Em 1983, o sírio Missak Yaroussalian (1945-2013), filho de armênios, ficou com vontade de comer esfihas. Foi para a cozinha e acabou improvisando um sanduíche com pão sírio e uma camada bem fininha de carne para kafta. Estava criado o arais. Como “Missak” era muito difícil de ser pronunciado pelos amigos do bairro do Pari, na zona norte, o arais mais famoso de São Paulo nunca carregou o nome do imigrante, mas sim o de Carlinhos, apelido pela qual ficou conhecido. O Restaurante Carlinhos existe desde 1988 e é referência na região.

Missak Yaroussalian ganhou o apelido de “Carlinhos”

Pois agora o nome finalmente será associado ao prato que ele inventou. Está marcada para o dia 1º de junho a inauguração do Restaurante Missak. Fernando Yaroussalian, um dos três filhos de Missak e com uma bagagem de anos trabalhando no Carlinhos, estará no comando: “A ideia de batizar o restaurante como Missak foi dos meus sócios, que quiseram homenagear meu pai. Eu aceitei na hora”, afirma, emocionado.

Vontade de comer esfiha acabou criando o tradicional arais

Os sócios aos quais ele se refere são José Oswaldo Morales e João Paulo Paladino. Morales é o locatário do imóvel, que estava fechado há alguns anos e onde ele pretendia abrir um restaurante ítalo-espanhol; Paladino estava pensando em abrir um night bar como os que havia visto em uma viagem ao Rio de Janeiro: “Expliquei a ele que seria um negócio complicado”, conta o herdeiro da tradição do arais. “Como eu tenho experiência com comida árabe, resolvemos abrir um restaurante especializado nisso”. A eles se juntaram Katia Rossi, que cuidará do marketing e da recepção aos clientes, e Guga Ribeiro, na parte administrativa.

O desafio será grande. Ao longo de todos esses anos o arais se estabeleceu no Pari, com um público fiel. Fernando tentou abrir um rede especializada só em arais, mas o negócio não prosperou. Agora tentará repetir o sucesso na zona oeste, no Alto da Lapa – mais precisamente no número 3447 da Avenida Diogenes Ribeiro de Lima: “Quero levar a cultura do arais para essa região importante da cidade”, conta Fernando. Para isso, nada de incrementar o cardápio com pratos que nada tenham a ver com esse perfil: “Vai ser 100% árabe e armênio”, promete.

Os detalhes da decoração foram acertados nas últimas semanas

Nos últimos meses, os sócios se desdobraram para acertar alguns detalhes da decoração – principalmente aqueles que remetiam ao universo ítalo-espanhol no qual o restaurante inicialmente seria erguido – e corrigir algumas pequenas falhas na estrutura. A Fernando, coube principalmente treinar os garçons: “Minha ideia é trazer tudo de lá do Pari para esta região”, diz ele, que no entanto não pretende promover qualquer intercâmbio entre funcionários do Carlinhos e os do Missak. “Vamos explicar para todo mundo o que é o arais”, garante.

Arroz armênio será uma das especialidades do novo Missak

A equipe conta com nove funcionários, comandados pela chef Carolina Corazza, que elaborou um cardápio de sete saladas, 15 entradas, sete pratos principais e quatro sobremesas. Além do arais, as maiores apostas são o arroz frito armênio e o pernil de cordeiro marinado, que servirá três pessoas.

Além disso, o Missak terá um cardápio de pratos executivos com uma opção por dia.

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