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“Se todo paulistano de férias em Recife volta carregado de bolos de rolo, por que não abrir uma fábrica em São Paulo?”. A pergunta foi feita por uma tia de Karla Moraes no comecinho de 1998.  Naquele instante, uma lâmpada se acendeu em cima da cabeça da moça e do noivo, Oliveira Joaquim Cristovam. Karla e Oliveira viajaram até a capital paulista para sondar o mercado. Karla, 42 anos, hospedou-se na casa das irmãs de Oliveira, registrou a marca Bolo de Rolo, alugou uma casa e encomendou as formas de um fornecedor pernambucano. Com tudo em ordem, o casal oficializou a união e mudou-se de mala e cuia para São Paulo.

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A fábrica conta com 30 funcionários, que produzem 12 mil bolos diariamente

O bolo de rolo é o doce mais popular de Pernambuco. Tanto que, em 2008, virou Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado. “No começo, não eram todos os paulistanos que conheciam o bolo”, conta Karla. “Foi preciso de muita conversa para convencer vocês de que era bom”.  A produção começou na garagem do casal. Hoje ocupa um espaço de 600m² em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Conta com 30 funcionários, que produzem diariamente 12 mil bolos. O produto pode ser encontrado em diversos supermercados e padarias da cidade, como Pão de Açúcar, Empório Moema, Dona Deôla, Extra, Galeria dos Pães e Basilicata.

Quem criou a receita da guloseima produzida pela Bolo de Rolo foi a mãe de Karla, Nara Maria Valença Ferreira de Moraes, de 67 anos. “Ela era doceira e começou a fazer bolo de rolo para complementar a nossa renda”, conta Karla. “Cresci vendo e fazendo bolo junto com ela”. Nara veio para São Paulo e ajudou a filha e o genro na fase de testes do negócio. “Foi ela quem descobriu como adaptar a receita de um modo que pudéssemos enrolar o bolo sem quebrar”, lembra Oliveira, 45 anos.  A massa, feita com farinha de trigo, ovos, manteiga e açúcar, é recheada com uma fina camada de goiabada derretida. A aparência do doce pode até lembrar o popular rocambole, mas nem pense em fazer essa comparação na frente dos dois. “Não tem nada a ver”, bronqueia Oliveira. “A nossa massa é leve, feita artesanalmente, não tem fermento e leite, é possível sentir todos os ingredientes frescos. Não é o pão-de-ló massudo”.

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A empresa aposta em uma novidade: o bolo de rolo de casamento

Uma história que os dois adoram contar é da noiva que chegou desesperada ao escritório há 10 anos. Cansada do clichê “bem-casado” oferecido aos convidados no final dos casórios, a noiva queria distribuir pacotinhos de bolo de rolo. A ideia deu certo e a Bolo de Rolo faz versões de 80 gramas do doce. Em abril passado, ainda na linha matrimônio, a empresa apostou em outra novidade: o bolo de rolo para casamento. São vários bolos sobrepostos e enfeitados.  A novidade já esteve presente em eventos do World Trade Center e no restaurante italiano Famiglia Mancini.

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