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O famoso castelo da Rua Apa, na região central da cidade, finalmente recebeu autorização para ser restaurado. O imóvel foi tombado  em 2004. O projeto está sendo feito pelo arquiteto Paulo Bastos, que esperava apenas a autorização do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). O sinal verde foi dado há duas semanas.  Bastos pretente derrubar a edícula, que tem cerca de 600 m², e construir uma nova. “Isso já foi aprovado pelo Conpresp, com uma exigência: fazer o projeto e a execução do restauro do castelinho”, conta. “Já o castelinho será mantido em sua forma original”.

O castelo foi construído em 1912 pela família do médico Vicente César dos Reis, que costumava dar muitas festas em casa para a sociedade paulistana. Em 12 de maio de 1932, dois meses depois da morte de Vicente, o casarão foi palco de um crime que chocou São Paulo. Álvaro, 45 anos, matou a tiros o irmãos novo, Armando, 43, a mãe, Maria Cândida, 73. Em seguida, se suicidou.  As circunstâncias do crime nunca foram esclarecidas. O que se dizia na época é que Álvaro queria abrir um ringue de patinação num imóvel da família alugado para o Cine Broadway. Armando era contra. Os herdeiros da família disputaram o casarão, mas o imóvel se tornou propriedade da União em 1987. Desde então, o imóvel não passou por nenhuma reforma. Em 1996,  a ONG Mães do Brasil foi autorizada a ocupar o imóvel. A ONG, no entanto, utiliza apenas a edícula.

Projeto do arquiteto Paulo Bastos para restaurar as formas originais da fachada do castelinho. Na imagem, a frente do imóvel.

Projeto para a lateral do castelinho. (Fotos: dilvulgação)

Para o castelinho, que tem entre 600 e 700 m², o arquiteto planeja começar pela restauração da fachada e do telhado para, depois, partir para a parte interna. “Com isso, a gente avança na proteção das paredes remanescentes e também na consolidação, porque o telhado estabiliza as paredes”, explica Bastos.

Enquanto o trabalho de restauração da parte externa é feito, Bastos irá precisar contratar um historiador para fazer uma pesquisa sobre o interior do imóvel. “Não tem mais piso, e só há vestígios do assoalho”, aponta. “Tudo vai depender do levantamento histórico. Precisamos de documentação para saber como eram os pisos, os forros. Não tem mais nada disso. O crime que aconteceu na casa pode ajudar. Um dos elementos da pesquisa serão os arquivos policiais.  As fotografias dos corpos, por mais mórbido que possa parecer, vão nos mostrar como era o piso”.

Interior do casarão. (Foto: Milton Kaor Nishida Junior/divulgação)

As obras, orçadas em R$ 5 milhões, ainda não foram iniciadas. Há apenas uma cobertura com lonas plásticas e tecido para conservação das paredes. Também foi retirado, com autorização da prefeitura, um abacateiro que ficava ao lado do castelinho. As raízes dá árvore estavam comprometendo o imóvel. A Mães do Brasil continua usando a edícula para seu trabalho, que inclui auxílio a moradores de rua e usuários de droga – alimentação, higiene e oficinas de artesanato. A itenção é transformar o “castelinho” em um espaço onde os beneficiados pela ONG possam expor seus trabalhos de artesanato.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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