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Na quinta-feira passada, dia 5, enquanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, inaugurava uma base do Corpo de Bombeiros em Hortolândia, no interior de São Paulo, a filha dele, Sophia Alckmin, arrumava os lisos e longos cabelos negros no salão do cabeleireiro Marcos Proença. A filha do governador preparava-se para o Baile de Carnaval da revista “Vogue”. Revelou ali, para a coluna de Mônica Bergamo, que estava sem lavar as madeixas diariamente. Foi uma das formas que encontrou para colaborar com a crise hídrica. A situação é tão dramática que até a conta de água do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, passou a ser vigiada. Ontem, a notícia que o consumo de água havia aumentado no mês de janeiro causou o maior rebuliço. A assessoria de imprensa do Governo do Estado correu para justificar os valores e explicou que o consumo tem sido sido inferior à média de 1.462m³ estipulada pela Sabesp (a média foi feita com os consumos dos anos de 2013 e 2014).

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As 50 caixas de água abastecem os 285 banheiros que são usados por 1.900 funcionários que trabalham na área de 21.000 m² do Palácio dos Bandeirantes. Além de morada oficial do governador, o local também é sede da Casa Civil, da Casa Militar e de algumas secretarias de Estado. “Não faltou água aqui nos últimos tempos”, revela Sérgio Bispo. “Falamos do problema de falta de água com os funcionários, e já há um tempo procuramos tomar medidas para economizar”. A sede do Governo de São Paulo é abastecida pela Represa do Guarapiranga. As principais medidas tomadas para economia da água foram os cartazes de conscientização da Sabesp espalhados pelos banheiros e a diminuição do fluxo de água que sai pelas torneiras.

Christine Starr, cerimonialista do Palácio há 36 anos, conheceu Menem, mas não a falta de água

Christine Starr, cerimonialista do Palácio há 36 anos: o governador Quércia levou Carlos Menem para o lavabo, mas ele queria um chuveiro

Os comentários sobre racionamento de água fizeram circular pelos corredores uma curiosa história que aconteceu em 1989. Cerimonialista do Palácio dos Bandeirantes há 36 anos, Christine Starr lembra de um almoço na Ala Residencial oferecido pelo então governador Oreste Quércia para o presidente argentino Carlos Menem, que estava de visita à São Paulo. Menem perguntou onde ficava o “baño” (banheiro, em espanhol) e Quércia o levou ao lavabo. O vaidoso argentino não queria banheiro, mas um chuveiro para tomar banho. O governador abriu o boxe do banheiro da Ala Residencial para o pedido de Menem. “Foi a primeira e única vez na história que um visitante do Palácio dos Bandeirantes se banhou no local sem estar hospedado”, conta Christine, autora do livro “Nos Bastidores do Palácio”. “O governador Geraldo Alckmin sempre teve fama de banhos caprichados, mas acho que agora ele é o que mais está economizando”.

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