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O chef Jaqueson Dichoff, da Pizzaria Vituccio, na Vila Romana, em São Paulo, ficou perto do título na disputa de melhor pizza margherita do mundo. Terminou em um honroso terceiro lugar na final disputada no Chile. A viagem ao país vizinho, no entanto, lhe rendeu muito mais do que um lugar no pódio. Foi durante uma conversa com um dos concorrentes, o napolitano Pasquale Cozzolino, representante de Nova York, que Jaqueson resolveu colocar em prática o plano de perder 50 quilos sem abandonar um hábito que a princípio parece contraditório: comer uma pizza ou um prato de macarrão todos os dias.

A relação de Dichoff com a balança está diretamente relacionada à sua atuação como pizzaiolo. O então publicitário de 1,85 metro gostava de se exercitar. Um acidente de moto em 1994 forçou uma parada nos exercícios e ele passou dos 100 quilos. A partir daí, começou a entrar no perigoso “efeito sanfona”: ora engordava, ora emagrecia. Em 2000, o divórcio fez o ponteiro da balança subir novamente. Quando assumiu uma pizzaria em Ubatuba, no litoral de São Paulo, em 2011, ele conseguiu estabilizar seu peso “um pouco acima” do ideal: “Morando em uma cidade menor, eu ia ao supermercado a pé, caminhava, pedalava todo dia pela orla, tinha uma vida mais regrada”, afirma Jaqueson.

O antes e o depois: Jaqueson Dichoff engordou 40 quilos depois de assumir a Vituccio há 3 anos (acima, em foto de 2013; abaixo, em 2016)

Em 2013, ao assumir a Vituccio, tudo mudou. Em pouco tempo, ele recuperou as contas da pizzaria inaugurada em 1982. Mas caiu em uma armadilha criada por ele próprio: “Passei a morar ao lado da pizzaria, achando que seria mais fácil para mim e me dei mal. Em três anos passei de 108 para 149 quilos”, relata. “Morando tão perto, eu passei a trabalhar mais, dormir menos e não tive mais tempo para fazer exercícios. Chegava em casa à 1 da manhã e, em vez de dormir, ficava vendo TV, que é uma coisa que eu adoro. Aí dormia tarde e acordava depois das 10. Em vez de fazer exercícios, eu ia direto para a pizzaria adiantar algumas coisas”, recorda. Diante desse cenário, a alimentação também ficou prejudicada: “Saía sem tomar café da manhã. Aí ficava perto do forno o dia inteiro e fazia o que? Comia, claro. Aí chega uma hora em que você não consegue mais amarrar o tênis. Faço 50 anos em 2017 e botei na cabeça que preciso perder 50 quilos urgentemente”, determina.

O nova-iorquino Pasquale Cozzolino passou por experiência semelhante: ganhou 65 quilos depois de abrir a pizzaria Ribalta e depois perdeu 60 comendo uma pizza brotinho por dia. Tudo o que Jaqueson precisava ouvir: “Tinha feito dietas malucas. Daquelas de só comer salada, por exemplo. Eu gosto de salada. Mas a ausência de carboidrato me deixava maluco. Comia um prato de alface às 6 da tarde e depois ficava vendo as pizzas saindo do forno. Óbvio que não me controlava”, choraminga.

Depois das conversas com Cozzolino, ele esquadrinhou o plano com a nutricionista Renata Cuzzino. Está fazendo todos os exames necessários e deu início ao regime no mês passado. Ele faz uma refeição principal por dia – no caso, escolheu o almoço – onde come uma pizza brotinho ou um prato de macarrão. Mas tem uma condição: o prato não pode ultrapassar as 600 calorias. Por isso, ele criou uma pizza margherita (que poderá ser turbinada apenas com tomate seco, abobrinha, berinjela ou brócolis, uma escolha por vez) de massa fina italiana, que é menos calórica. O macarrão será feito também a partir de uma pasta fresca mais leve.

Pasquale Cozzolino, da novaiorquina Riabalta, perdeu 60 quilos comendo pizza e é a inspiração de Jaqueson Dichoff

“Eu já como pizza todo dia, agora vou fazer isso de maneira saudável”, afirma Jaqueson. Além disso, o pizzaiolo tem horários mais regrados para o trabalho e, assim, sobra tempo para se exercitar. O mais difícil, segundo ele, tem sido resistir aos doces, sobretudo aqueles feitos na própria Vituccio. De vez em quando será impossível escapar e ele está preparado para isso: “Quando acontecer, é preciso ter a consciência de que isso irá me levar a meia hora a mais de academia no dia seguinte”, pondera. O que está definitivamente vetado é o refrigerante: “Eu adoro, mas já tinha tirado da minha vida antes. Sempre prezei por alimentos com menos açúcar na Vituccio, não posso tomar algo que é feito basicamente disso”. Para acompanhar as refeições, a tradicional taça de vinho não só é permitida, como é recomendada.

A margherita de 600 calorias com massa mais leve será a base da dieta

Com tudo isso, ele espera mudar uma brincadeira que tem feito muito frequentemente na pizzaria. É que quem passa por lá costuma sair com medo da balança no dia seguinte. É aí que ele entra e, com seu jeito brincalhão, decreta: “Fique tranquilo. Aqui na Vituccio o único que engorda sou eu!”. Perto dos 50 anos e envolvido no desafio de perder 50 quilos em um ano, Jaqueson quer deixar de ser a exceção. Parece que o número 50 será mágico mesmo. Ainda em 2017, ele lançará um livro com 50 de suas receitas de pizza pela Editora Matrix. Entre elas, a nova criação de pizzas de 600 calorias: “Esse vai ser o meu coringa!”, brinca.

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