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A baixa demanda de carros brancos em São Paulo é uma realidade desde 1989, ano em que a então prefeita da cidade, Luiza Erundina, sancionou a lei que obriga aos táxis paulistanos serem pintados de branco. Não se vendia carro popular branco na cidade. Os consumidores os chamavam de “carro-táxi”. Mas, desde o ano passado, um fenômeno tem sido observado: os carros brancos voltaram à preferência dos paulistanos. “Hoje, de todos os carros vendidos, 30% são modelos na cor branca”, garante Fernando Rodrigues Macedo, 31 anos, gerente de vendas da Disbrasa, unidade do Ipiranga, concessionária mais antiga da Chevrolet em São Paulo. Augusto, da Ventuno, confirma a tendência e especifica: “Os modelos mais procurados na cor branca são esportivos e SUV (veículo utilitário esportivo)”.

A cor branca foi a preferida dos compradores de carros em 2013. A pesquisa coordenada pela Axalta Coating Systems, empresa fabricante de tintas automotivas, aponta um crescimento global de 29% no número de carros na cor branca. “Eu nunca entendi essa mania de carro preto e prata no país”, diz Boris Feldman, engenheiro e editor do caderno Vrum do jornal Estado de Minas. “O branco representa o fim dessa ditadura”, emenda o jornalista mineiro de 69 anos, que tem um carro de cor marrom claro metálico. “No último salão do automóvel (que aconteceu há dois anos, no Anhembi, em São Paulo), as principais marcas premium expuseram seus modelos na cor branca”, lembra Joel Leite, 60 anos, responsável pela agência AutoInforme, especializada no setor automobilístico. “Como são marcas referenciais, podem ter formado uma tendência”.

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O gerente de vendas da Disbrasa, Fernando, explica os motivos de o carro branco ser mais barato. “O preço do carro não está relacionado à qualidade da tinta. Como o branco é uma pintura sutil e padrão, ela não é cobrada”. Porém, a empresa passou a oferecer uma nova opção de cor branca. “O branco sólido custa, em média, 300 reais. Uma pintura metálica sai por volta de 1.000”, compara o gerente. Boris Feldman defende que manter o padrão de cores é conveniente às fábricas. “Priorizando o habitual, elas não precisam se preocupar com a manutenção de novas cores, e isso significa menos custo”, elucida o jornalista. “Além do mais, até hoje um carro de cor não tradicional é desvalorizado na revenda”.

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Modelo: Lancer GT AWD, da Mitsubishi, apresentado no último Salão do Automóvel, em 2012. (Foto: Divulgação)

Lorival Rodrigues, 79 anos, tesoureiro do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, garante que os táxis não são confundidos com os veículos particulares por causa da cor. “Além da placa vermelha, existe o luminoso (identificação em cima do carro)”. O jornalista Joel Leite adoça a tese esclarecendo que 90% dos táxis em São Paulo variam dentro de seis modelos tradicionais. “Os modelos brancos que não se assemelham aos padrões habituais dificilmente são confundidos”. No entanto, o próprio jornalista já passou por uma situação inusitada. “Na época eu tinha um carro branco. Estava no trânsito quando o motor começou a falhar. Encostei o veículo e abri o capô do carro”, lembra. “Logo em seguida parou um taxista atrás de mim. O rapaz, rapidamente, desceu falando: ‘Qual foi o problema, colega? Precisa de ajuda? ’”.

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