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A Câmara Municipal de São Paulo realizou, na noite de ontem, uma cerimônia inusitada: o cão Bruno, da Polícia Civil, recebeu um diploma e foi condecorado por serviços prestados em investigações policiais. O animal teve participação decisiva na prisão do suspeito de matar o executivo americano David Benjamin Sommer, em janeiro passado, num prostíbulo no centro da cidade. O “agente Bruno” é especialista em detectar material explosivo, buscar pessoas perdidas e localizar cadáveres. Aos 8 anos, ele ganhou também direito à aposentadoria. Vai viver com sua adestradora.

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Cão Bruno, o homenageado pela Câmara Municipal de São Paulo

A iniciativa de homenagear o cão da raça bloodhound foi do vereador Nelo Rodolfo (PMDB). Esse tipo de homenagem é comum nos Estados Unidos. Além dos animais, os adestradores também são condecorados.

O cão Bruno pode ter sido o primeiro a receber diploma na Câmara Municipal, mas não foi o primeiro a receber honras de herói. Esse título pertence ao pastor alemão Dick. Em 1956, o então governador Jânio Quadros ameaçou fechar o Canil da PM: “Faça os cães trabalharem ou então dissolva a matilha”, decretou, com seu estilo histriônico. No mesmo ano, um garoto chamado Eduardo Jaime Benevides, o “Eduardinho”, de seis anos, foi sequestrado na porta de casa. O fato mexeu com a cidade. Sem notícias, três dias depois, o governador anunciou que promoveria quem encontrasse o menino. Comandado pelo soldado José Muniz de Souza, Dick achou o garoto escondido em uma fossa de 1 metro e meio, na região onde hoje funciona o Jardim Zoológico.

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Pintura que retrata Eduardinho, o soldado Muniz de Souza e o cão Dick

Na manhã do dia seguinte, as capas dos jornais estampavam a foto do cão policial, referindo-se a ele como herói. Jânio cumpriu a promessa: Dick recebeu a patente de “cabo” e uma escultura do seu busto foi colocada na entrada principal do Canil Central da PM, no bairro do Tremembé, mesmo local em que Dick havia sido abandonado pelo dono em 1953. O busto traz a inscrição: “Campeão das buscas policiais”. Dick morreu no dia 15 de junho de 1959.

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Homenagem feita para o Cabo Dick no Canil Central da PM

A façanha do pastor alemão também ganhou um livro – Dick, o Herói -, escrito por Antônio Fernando Costella (1943-), lançado em 1996, pela editora Mantiqueira. O livro faz parte de uma coleção de três livros sobre animais famosos. Os outros são o rinoceronte Cacareco e o cavalo Bucéfalo.

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Capa do livro “Dick, o Herói”, lançado em 1996

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