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A “Calçada da Fama” na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, foi inaugurada na década de 1970. Havia ali 14 assinaturas de ídolos do esporte, com direito a carimbada de mãos e pés no cimento fresco. Só que a má conservação apagou a maioria delas. Hoje, é possível identificar apenas quatro marcas: a de Éder Jofre, boxeador bicampeão mundial na categoria peso galo em 1960 e 1973; a do também boxeador Ralph Zumbano, tio de Jofre e descobridor de Maguila; a do piloto Chico Landi; e a do jogador de futebol Homero, que defendeu a Portuguesa e o São Paulo. A descoberta foi feita pela historiadora Glaucia Garcia de Carvalho, uma das criadoras do site São Paulo Antiga. “É uma peça de museu a céu aberto, mas que está acabando com o tempo”, lamenta Glaucia. “O irônico é que ela está a poucos passos do Museu do Futebol, dedicado à preservação da memória esportiva”.

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No ano passado, quando o assunto veio à tona, a Prefeitura de São Paulo fez o que sempre faz: informou que a restauração da Calçada da Fama do Pacaembu estava incluída no projeto de revitalização da Praça Charles Miller e que ela estaria restaurada no primeiro semestre do ano. Nada foi feito. Agora, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura se faz de desentendida e diz que nunca teve conhecimento de nenhum prazo para que a obra fosse entregue. Confirma que existe o projeto de revitalização, mas não sabe dizer como será feita a restauração da calçada e nem quando será iniciado o trabalho.

Para Iênides Benfati, 66 anos, presidente da Associação Viva Pacaembu por São Paulo, o estado da calçada “é uma ofensa aos heróis que têm seus nomes lá”. Ela vai além: “É um local tão mal cuidado que, em vez de ser uma honra, é uma desonra”. Iênides afirma que a Calçada ainda é o menor problema da Praça Charles Miller. “A praça toda é terra de ninguém”, lamenta. “Tem ensaios de banda, bar sem licença para funcionar, encontro de jipeiros. Todas as noites é um absurdo diferente”. Sobre o prazo da entrega das obras de revitalização pela prefeitura, Iênides afirma que a Viva Pacaembu não recebeu qualquer informação. “Quando a prefeitura fez o acordo com a Fundação Roberto Marinho para construir o Museu do Futebol, se comprometeu a recuperar a Praça Charles Miller. A Prefeitura não fez a parte dela”.

Éder Jofre, hoje com 75 anos, lamenta o estado da Calçada da Fama e também golpeia a Prefeitura. “Deixei minhas marcas com o maior orgulho”, afirma. “Fizeram o maior carnaval, e agora todo esse desleixo? Eu me sinto humilhado”.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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