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O confeiteiro americano Bartolo “Buddy” Valastro estreou um programa na TV a cabo em 2009. “Cake Boss” é uma espécie de reality-show que mostra o dia-a-dia do negócio da família, a padaria Carlo’s Bakery, em Hoboken, no Estado de Nova Jérsei. Buddy faz verdadeiras esculturas em forma de bolo. Aceita os mais esdrúxulos pedidos – alguns rendem bolos bem grotescos. O sucesso foi tanto que a série estreou, no dia 22 de julho, a sexta temporada. Por aqui, o “Cake Boss” é exibido pelos canais TLC e Discovery Home & Health. Para promover a série, o confeiteiro-celebridade desembarcou em São Paulo. No domingo, 20 de julho, ele fez uma pequena apresentação no Shopping Eldorado, em Pinheiros, e conseguiu causar um congestionamento monstro na região tamanha a quantidade de fãs que atraiu. Eu nem sabia que ele fazia tanto sucesso assim em São Paulo. Será que a passagem de Buddy pela cidade ajudou a divulgar o trabalho de nossas “Cake Boss”? O São Paulo para Curiosos listou seis confeiteiras que realizam um trabalho bem parecido com o do americano. Só que sem a mesma pirotecnia…

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Multidão no Shopping Eldorado espera apresentação de Buddy Valastro, o “Cake Boss”

Adriana Aracri
Depois de atuar metade de sua vida no mercado financeiro, a administradora Adriana Aracri, 40 anos, decidiu aprender a montar ovos de Páscoa. Isso foi em 2011. Gostou da experiência e emendou logo um outro, que ensinava a fazer bolos. “Achei tudo aquilo muito lindo e resolvi me especializar na área”. Há três anos, Adriana abriu um ateliê de bolos decorados. Produz uma média de 20 deles por mês. “Na Copa do Mundo, fiz um bolo no formato da mascote Fuleco”, diverte-se. O quilo da guloseima custa R$ 70, mas o valor varia de acordo com a decoração.

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Bolo no formato de mesa de mixagem demorou cinco horas para ficar pronto

Adriana conta que os clientes tinham preconceito com a pasta americana, um dos principais ingredientes para decoração dos bolos. “Falavam que a pasta deixava a massa muito seca”, diz. “O programa ‘Cake Boss’ ajudou a mostrar que isso não acontece”. O pedido mais inusitado que recebeu foi um bolo em formato de bumbum feminino com calcinha fio dental e o nome do casal em cima. Outro que levou bastante tempo para ficar pronto foi um em formato de mesa de mixagem. “Demoramos cinco horas para terminar de escrever todos os detalhes”, relata Adriana, que conta com a ajuda de duas funcionárias.

Tel. 98229-0963 / 3791-1871
adrianaaracri.blogspot.com.br

 

Deise Datti
“Por causa da visita do Cake Boss, bati o recorde no número de encomendas”, festeja a confeiteira Deise Datti, 58 anos. “Tinha dois bolos agendados para o sábado. Depois do evento no Eldorado, recebemos mais 13 pedidos quase ao mesmo tempo”. Os bolos de Deise são iguais ao de Buddy? “Ele faz bolos mais duros e secos porque são enormes e precisam aguentar a decoração”, opina. Deise produz cerca de 70 bolos por mês. O quilo sai por R$ 70, mas a decoração é cobrada à parte.

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Deise Datti trabalha com confeitaria desde 1993 e já fez bolo com sete andares

Deise começou a trabalhar nessa área em 1993. “Foi quando me separei e precisava de algo para sustentar meus dois filhos”, resume. O maior bolo decorado que fez foi um pedido do Colégio Notre Dame em comemoração ao aniversário da escola. “Foram sete andares, 1 metro e meio de altura e 40 quilos”, enumera Deise, que precisou de duas assistentes para finalizar a produção.

Tel. 5031-0005
deisedatti.com.br

 

Inês Brito
“Os clientes assistem aos super bolos do “Cake Boss” e querem o mesmo trabalho em uma massa de 2 quilos”, conta Inês Ferreira Brito, 51 anos, que montou a empresa The Best Party em 2007.  “Como nossos bolos são menores, eles precisam ter um acabamento melhor”. Inês e outras duas confeiteiras produzem 60 desses bolos por mês. “O bolo artístico se tornou o ponto principal das festas”, garante. “Certa vez, um cliente reclamou que o bolo tinha sido mais fotografado do que ele na própria festa”.

31 - Esfinge

Inês demorou um dia para concluir a montagem da esfinge

Antes da confeitaria, Inês trabalhou por 26 anos no mercado financeiro. Quando resolveu mudar de ramo, a confeiteira realizou cursos ao longo de um ano em escolas do Brasil, Argentina e Estados Unidos. “O mercado de bolos decorados vem crescendo muito em São Paulo, mas o público está também mais exigente”, alerta. O quilo da guloseima custa de 100 a 150 reais. O maior desafio de sua carreira foi proposto por um garoto, que pediu o bolo no formato de uma esfinge. A encomenda levou um dia inteiro para ficar pronta.

Tel. 3031-6462
thebestparty.com.br

 

Louise Prezzi
Louise Marie Tormes Prezzi, 27 anos, fez a faculdade de Desenho Industrial no México. Para bancar suas despesas por lá, trabalhou numa confeitaria e aprendeu a fazer flores de açúcar. “Fiquei apaixonada pelo trabalho”, afirma. “Quando me formei, fiquei até um pouco mais de tempo no serviço para ter certeza se era realmente o que eu queria”. Em 2012, voltou ao Brasil e abriu seu próprio negócio, a Lulu Cakes. “Trabalho sozinha, mas às vezes minha mãe me ajuda”, conta.

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Louise pegou gosto pelo ramo da confeitaria num trabalho no México

São 20 bolos produzidos por mês. O quilo sai por R$ 100, mais o valor da decoração. Louise explica que os bonecos modelados exigem mais tempo na decoração do bolo. “Os clientes já chegam com as ideias prontas”, explica. “Fazemos esboços para adequar os desejos às possibilidades, mas nunca deixamos de atender um pedido”.

Tel. 98553-7025
lulucakesconfi.com

 

Luiza Ricci
Luiza Ricci, 56 anos, foi a primeira “Cake Boss” de São Paulo. Tanto que ganhou um verbete na primeira edição de Os Endereços Curiosos de São Paulo. “Fazia bolos decorados nos aniversários dos meus três filhos”. Em 1989, deixou a carreira na área de Artes Plásticas para seguir no ramo da confeitaria. “Naquela época, não existiam cursos como hoje”, lembra. “Precisava adaptar as receitas e moer o açúcar no liquidificador”. Ela cuida sozinha das produções. Em média, confecciona 40 bolos por mês. “Faço os mais simples em quatro horas”. E os mais complicados? Luiza demorou quase 10 para fazer com um pé e um enorme joanete. “Era uma homenagem da mulher ao marido”, ri.

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Luiza demorou três dias para montar o cachorro Jeff

Outro bolo que deu trabalho foi o do cachorrinho Jeff. “Demorei três dias para terminar”, conta. “O quilo do bolo custa 130 reais, mas só aceito encomendas a partir de 1 quilo e meio”. Os pedidos de bolos de aniversário ainda são maioria, mas as encomendas para casamento, aniversário de namoro e primeira-comunhão vêm crescendo. “Quando passaram dos 10 mil, eu parei de contar”, diz Luiza sobre os números de sua produção.

Tel. 97993-0299 / 97547-0299 / 98609-3321
luizaricci.com

 

Paula Simões
Para Paula Simões, 33 anos, os meses da Páscoa e do Natal são os mais concorridos em números de pedidos de bolos decorados. Há sete anos, ela desistiu da carreira em hotelaria para focar na fabricação dos bolos decorados. A confeiteira montou o The Cake is on The Table, seu próprio negócio.  “Trabalho com uma ajudante, mas, quando o serviço é muito desafiador, recorro às minhas colegas boleiras”.

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Bolo de 12 quilos feito por Paula Simões e Paula Cinini para evento do Burger King

Foi o caso da encomenda mais trabalhosa e demorada da carreira. “O Burger King pediu um bolo no formato de um hambúrguer gigante”. Paula contou com a ajuda de sua xará, Paula Cinini. O bolo foi confeccionado para 100 pessoas, tinha 40 centímetros de diâmetro e pesava 12 quilos. “Demoramos 12 horas”, contabilizou Paula Simões, que enxerga no “Cake Boss” uma inspiração: “Confesso que acho o estilo dos bolos um pouco exagerado. Mas gosto do jeito com que ele abraça e supera desafios”.  Paula vende cerca de 20 bolos por mês. A guloseima decorada para 25 pessoas custa em torno de R$ 500.

Tel. 2371-1640
thecakeisonthetable.com.br

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