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Hoje é o Dia Nacional do Ciclista. Apesar de rodar bastante pela cidade por dever de ofício, não passo por muitos dos 346 quilômetros já instalados de ciclovias e ciclofaixas. Passo todos os dias por duas grandes em Pinheiros. O bairro, que completou 455 anos no último dia 17, tem 80 quilômetros de ciclofaixas. A que passa pela Rua João Moura está sempre vazia. Vi pouquíssimas bicicletas por lá tanto na ida quanto na volta. Já a faixa vermelha no asfalto da rua Arthur de Azevedo, em Pinheiros, é um sucesso.  Tem sempre bicicletas nos dois sentidos.  Por causa disso, a rua se tornou um polo de negócios ligados às magrelas.

Um deles é a Las Magrelas, de Talita Noguchi, 29 anos, e Rafael Rodolfo Chacon, 35 anos. A bicicletaria foi inaugurada em fevereiro de 2013 na Vila Madalena, mas mudou-se para a Arthur de Azevedo há dois meses. “O nosso perfil vem mudando e a casa antiga já não acomodava todas as necessidades”, diz Talita, que trabalhava antes como editora numa revista. “Agora estamos num ponto bem melhor tanto para nós quanto para os ciclistas”.

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O espaço de Talita e Rodo reúne outras tribos com pensamentos muito alinhados ao cicloativistas, como vegetarianos, veganos e feministas

O espaço também é bar, oficina e ponto de encontro. Reúne outras tribos com pensamentos muito alinhados ao cicloativistas, como vegetarianos, veganos e feministas. “Nós percebemos que pessoas com boas ideias vêm até aqui para discutir e se inspirar”, exulta Talita.

Mas o pioneirismo da descoberta da Arthur de Azevedo cabe ao KOF (King of the Fork), bolado por Camila Romano, 34 anos, e Paulo Filho, 28 anos. A palavra “fork” serve tanto para se referir ao garfo que usamos em restaurantes quanto para uma peça da bicicleta. O primeiro bike-café da rua abriu as portas em julho do ano passado. “Aqui nós fazemos o que mais amamos: pedalar, comer e tomar café”, explica a arquiteta Camila. “Só não consertamos bicicletas”. A ideia veio importada de Londres, onde ela morou por sete anos.

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Paulo e Camila, do KOF, foram os pioneiros do conceito bike-café na rua

Ao chegar, o ciclista pode parar sua bicicleta numa espécie de arara instalada no meio da calçada bem em frente à loja. A KOF já até criou moda com isso. A padaria Trigonela, que fica uma quadra acima, fez o mesmo para atrair o público das duas rodas. Camila e Paulo têm outros dois funcionários. Servem sanduíches, como o pastrami com queijo gouda, picles e mostarda (R$22,00), o mais pedido. Uma xícara de espresso com cookie custa R$10.

Como o bairro tem uma topografia acidentada, os advogados Rafael Torres, 39 anos, Rafael Pinheiro, 34, e Rafael Sandi, 34, decidiram abrir uma loja de bicicletas elétricas, também chamadas de “e-bikes”. Inaugurada há nove meses, a Pedal Elétrico vende e aluga três tipos delas: dobráveis aro 20, comfort aro 26 e mountain e-bike. “Elas são mais leves e resistentes”, explica Torres. “São movidas à bateria de lítio removível – ecologicamente correta – e o motor é acionado quando você começa a pedalar. Ou seja, você ainda pratica o exercício só que sem esforço e com agilidade”. A escolha da Arthur de Azevedo também foi estratégica. “Os ciclistas que passam por aqui olham a loja e se interessam em entrar para conhecer a novidade”. A diária de aluguel custa R$ 80. Uma semana custa R$ 200 e um mês, R$ 400. “Nós queremos vencer as ladeiras e acho que estamos conseguindo”, jacta-se Torres.

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A Pedal Elétrico vende e aluga as chamadas e-bikes. É preciso pedalar para o motorzinho começar a funcionar

Carlos Roberto Jesus, 50 anos, chegou na região de Pinheiros bem antes das ciclovias. Ele tem uma oficina de bicicletas na Pedroso de Moraes, entre a própria Arthur de Azevedo e a Rua dos Pinheiros. A Ciclo Dias Santos existe 1980 e tem um visual totalmente diferente dos outros endereços moderninhos. “Aprendi a consertar bicicletas na raça”, diz. “Comecei a trabalhar para um português chamado Antunes Dias Santos”. Carlos herdou o negócio em 1986.

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Carlos, da Ciclo Dias Santos, está instalado no bairro há 35 anos

Na Ciclo Dias Santos, Carlos não serve café, cervejas artesanais ou sanduíches. São 20m² dedicados a serviços manuais de revisão, regulagem de freios e câmbios, e limpeza em geral. Também vender peças, acessórios e bikes usadas e novas. “Com a chegada das ciclofaixas no bairro, eu senti um aumento na procura pelos serviços de manutenção e vendas de peças”, afirma. “Mas o ciclista de final de semana ainda é o meu maior cliente”.

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A Aro 27, de Fabio Samori, está perto da Estação Pinheiros, mas longe da Arthur de Azevedo

A Aro 27 está também em Pinheiros, mas longe da Arthur de Azevedo. O espaço de 160m², aberto por Fabio Samori, 41 anos, em julho de 2013, fica na Rua Eugênio de Medeiros, a 50 metros da Estação Pinheiros do Metrô. Tem café, oficina, loja com equipamentos, 40 vagas de estacionamento para bikes e 8 duchas para o ciclista. “Estar ou não na frente de uma ciclovia não altera o movimento de ciclistas no negócio”, acredita Fabio. “Não é preciso abrir um estabelecimento na frente de uma ciclofaixa para ter sorte ou não”.

SERVIÇO

Las Magrelas
Rua Artur de Azevedo, 922
Tel.: 3530-4638
Seg. a sáb. do 12h às 22h

Aro 27
Rua Eugênio de Medeiros, 445
Tel.: 2537-1918
Seg. a sex. das 8h às 20h  –  Dom. das 10h às 16h

KOF (King of the Fork)
Rua Artur de Azevedo, 1317
Tel:. 2533-9391
Seg. a sáb. das 10h às 20h

Ciclo Dias Santos
Rua Pedroso de Morais, 265
Tel.: 3032-7628
Seg. a sex. das 8h às 18h – Sáb. das 9h às 16h

Pedal Elétrico
Rua Artur de Azevedo, 1315
Tel.: 3807-2080
Seg. a sex. das 10h às 19h – Sáb. das 10h às 15h

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