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O ator britânico Anthony Hopkins, 74 anos, está fazendo planos para diminuir o ritmo do cinema e se dedicar mais à música. E isso inclui uma apresentação em São Paulo, tratada ainda como sigilosa. Está em negociação uma apresentação do ator como regente da Orquestra Bachiana do SESI, inicialmente agendada para a primeira semana de setembro, na Sala São Paulo. Hopkins já atuou como regente algumas outras vezes.

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Hopkins sempre teve aptidão pela música clássica. Começou a compor aos 6 anos de idade. Fã de Elgar e de Beethoven, ele era incentivado pela mãe, cujo maior sonho era que o garoto se tornasse um grande pianista. Seu caminho acabou se esbarrando no cinema, e o talento artístico contribuiu para que ele construísse uma carreira de sucesso, cujo auge foi atingido na década de 1990. Hopkins, vencedor do Oscar de melhor ator por “O Silêncio dos Inocentes” (1992), é um dos mais respeitados atores de Hollywood.

Anthony Hopkins, no entanto, nunca se desgarrou de suas raízes musicais. Quando dirigiu seu segundo filme (“August”, de 1996), chamou o compatriota George Fanton para compor a trilha. Fanton estava ocupado com outros projetos, mas topou ajudá-lo. No fim, o próprio Hopkins acabou compondo o tema do filme. Inicialmente chamada de “August”, a música foi mais tarde renomeada para “Margam”, em homenagem à sua cidade natal, no País de Gales. Em 2007, compôs mais uma para o cinema: “Schizoid Salsa” entrou na trilha sonora de “Slipstream”, também dirigido por ele.

Em janeiro deste ano, a Orquestra Sinfônica de Birmingham (Inglaterra) gravou nove de seus trabalhos originais e trilhas de filmes em um CD, lançado pela rádio britânica Classic FM. Uma das faixas é “Margam”. “Stella” é inspirada na mulher dele, que o convenceu a não desistir do hobby, e “Amerika” em sua terra adotiva, os Estados Unidos.

É provável que a oportunidade de tocar no Brasil tenha sido fruto de sua convivência com Fernando Meirelles, diretor brasileiro que trabalhou com Hopkins no longa “360”, previsto para estrear no país no dia 18 de maio. Meirelles reconhece o talento musical de seu protagonista. Tanto que o convidou a compor o tema de seu personagem. “Em uma tarde, ele foi a um estúdio em Londres e trouxe a peça pronta”, admira-se o diretor. Trata-se de uma obra para violão, tocada por ele mesmo – que revelou ser também um multi-instrumentista.

Apesar da inclinação cada vez mais musical, Fernando Meirelles acredita que Anthony Hopkins não irá largar tão cedo a carreira no cinema. “É assim que ele paga as contas”, afirma. “E, além disso, o camarada está bem consigo mesmo, feliz com a profissão”. Fernando Meirelles revela ainda outra faceta de Hopkins: ele também se arrisca na pintura. Confira a entrevista de Fernando Meirelles concedida por e-mail ao Blog do Curiocidade:

Você pode comentar um pouco sobre a experiência de trabalhar com Anthony Hopkins?
Sei que vai soar como resposta de concurso de miss, mas trabalhar com o Anthony Hopkins foi das melhores experiências que tive com um ator. O camarada está de bem consigo mesmo, feliz com a profissão. Às vezes, comentava: “Não é incrível que ainda tenha gente querendo filmar comigo? Que sorte eu tenho.” Uma pessoa feliz irradia esse clima e contamina o set. É um tremendo CB (sangue bom).

O que você sabe sobre a ligação de Anthony Hopkins com a música? É verdade que ele fala em deixar o cinema para se dedicar a essa antiga paixão?
Ele mora num casarão em Malibu, acho que precisa do cinema para pagar as contas. Mas, de fato, é compositor, rege e é um multi-instrumentista talentoso. Diz que, se não fosse ator, poderia ser concertista de piano e que se daria bem, pois seu nível é alto. Fora isso, ele pinta. Ele fez uma exposição em Honolulu no ano passado.

É verdade que Anthony Hopkins está vindo ao Brasil atuar como regente? Foi você quem o incentivou a tocar em São Paulo?
Quando soube que ele tinha essa ligação com a música, convidei-o para compor o tema de seu personagem em “360”, o que ele fez com prazer. Foi a um estúdio em Londres e numa tarde trouxe a peça pronta. É uma peça para violão, que ele mesmo tocou. Quanto a reger, já fez isso na Irlanda e na Áustria, mas não há planos para fazê-lo no Brasil.

(com a colaboração de Júlia Bezerra)

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