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É incrível como os preços de algumas coisinhas são meio que tabeladas em São Paulo. Pizza, hambúrguer, valet, estacionamento de shopping center e… sorvete. Copinhos nos tamanhos pequeno, médio e grande variam muito pouco dos 10, 12 e 14 reais. Pode reparar. Escrevi isso para dizer que um aviso me chamou a atenção na sorveteria Convivio, em Pinheiros, sábado passado. Um cartaz no caixa informava que o sorvete de pistache – e apenas o sorvete de pistache – estava sendo vendido a 12, 15 e 18 reais, em vez do normal 10, 12 e 15 reais. “É o sabor favorito dos clientes”, informa o italiano Lorenzo Fasano, 55 anos, dono da Convivio. “Vendemos uma média de 300 litros por semana. Usamos o pistache da melhor qualidade”.

A procura pelo tal “pistache perfeito” obrigou Fasano a importar a semente diretamente de sua terra natal. O pistache vem da região da Sicília, na Itália. “Ele é muito melhor que aquele que vem da Califórnia, nos Estados Unidos, ou de Damasco, na Síria”. “Nos últimos meses, os fornecedores do produto subiram o preço em 25% por causa da alta do dólar”, explica Fasano. No lugar de aumentar todos os outros sabores, Fasano achou por bem só repassar a alta para o sorvete de pistache.

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O preço do pistache importado da Sicília, na Itália, fez a sorveteria Convívio adotar um valor diferenciado apenas para esse sabor

A questão do preço diferenciado também vive em pauta na Le Botteghe Di Leonardo. Os sócios Roberto Galisai, 36 anos, e Eugênio de Marco, 40, também usam o pistache importado da Sicília. E eles dizem que o aumento foi maior que o sentido pela Convívio. “Com as questões cambiais, o preço da matéria-prima aumentou mais do que 50%”, garante o italiano Roberto. Além do pistache, a matéria-prima subiu também nos sabores avelã, gianduia, amêndoa, nozes, castanha-do-Pará e framboesa. É raro encontrar o maravilhoso gelato de framboesa.  A Botteghe fornece o sorvete para os restaurantes Loi, La Piemontese e St. Joe Burger House. A fruta vem importada do Chile. Só quando é feito um pouco a mais é que o sabor framboesa é oferecido. Mas não costuma durar muito. “Precisamos de 4,2 quilos de framboesa para fazer 10 litros de sorvete”, diz Roberto. Por enquanto, os sócios mantêm o mesmo preço para todos os sabores. “Compensamos o valor dos sabores mais caros com os mais baratos”, justifica Roberto.

Roberto e Eugênio lançaram esta semana três novos sabores: goiaba, limão com gengibre e abacaxi. Os preços são os onipresentes 10, 12 e 14 reais. Há também uma opção de mini copinho por 6 reais.

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Os sorvetes da Le Botteghe Di Leonardo não sofreram aumento, apesar do aumento da matéria-prima em até 50%

No Brasil, o sorvete chegou primeiro no Rio de Janeiro, ainda no tempo do Império. No dia 23 de agosto de 1834, Lourenço Fallas inaugurou na corte duas casas que vendiam sorvetes e produtos gelados, uma no Largo do Passo e outra na Rua do Ouvidor. Para garantir que o produto não derreteria, ele comprou 217 toneladas de gelo de Boston, nos Estados Unidos, que foram trazidos para o Brasil por navio. O gelo, envolto em serragem e enterrado em buracos, durou 5 meses.

SERVIÇO
Le Botteghe Di Leonardo
Rua Oscar Freire, 42 – Jardim Paulista
Tel.: 2528-2000
Domingo a quinta-feira, das 9h às 23h; sexta e sábado, das 9h à 0h.
Convivio il Gelato
Avenida Diógenes Ribeiro de Lima, 2100 – Alto de Pinheiros
Tel.: 2693-4003
Terça a quinta, 12h/20h; sexta, sábado e domingo, 12h/21h
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