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Em 1989, o Estado de São Paulo decidiu criar uma universidade de música. Batizou a escola de Universidade Livre de Música e chamou para ocupar o cargo de reitor ninguém menos do que Tom Jobim. O músico carioca que para tudo tinha uma resposta na ponta da língua aceitou a missão, mas não poupou críticas à escolha do nome. “Livre de música?! Deveria ser Universidade Cheia de Música!”, contestou. A reclamação não foi levada a sério, e a instituição foi, até 2001, conhecida como Universidade Livre de Música Tom Jobim. Hoje, chama-se Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim, e é administrada pela organização social Santa Marcelina.

Não é só isso que liga Tom Jobim à cidade. Em 1960, o maestro passou seis meses em terras paulistanas por causa de um programa na TV Tupi que ele se comprometeu a apresentar. Em “O Bom Tom”, ele apresentava nomes promissores da música brasileira. O músico também passou boa parte de suas férias em São Paulo. Os Almeidas de Antônio Carlos Brasileiro Almeida Jobim são família tradicional da cidade de Leme, no interior de Estado. À árvore genealógica do maestro (por sinal, uma de suas grandes fixações) foi ainda adicionado mais um integrante da terra da garoa. Tereza, sua primeira mulher, é paulista.

Essas são algumas das cerca de 80 histórias contadas por Wagner Homem e Luiz Roberto Oliveira no livro “Histórias de Canções – Tom Jobim”, lançado em dezembro pela Editora Leya. É o terceiro volume da coleção encabeçada pelo paulista Wagner Homem em 2009, quando revelou curiosidades sobre a obra de Chico Buarque. Foi um ano e meio de leitura, entrevistas e pesquisa online até a conclusão do livro. “A maioria das histórias curiosas foi garimpada no site do Instituto Tom Jobim, que disponibiliza uma vasta documentação online”, revela o autor.

Como muito material já foi escrito sobre Tom Jobim, boa parte do livro é dedicada à desmistificação de algumas histórias. “Garota de Ipanema”, por exemplo, não foi originalmente composta para Helô Pinheiro. Vinícius de Moraes fez a música para ser tema de um musical que acabou não saindo do papel. Só depois de uma frustrada tentativa de escrever uma letra para a canção é que ele se juntou a Tom Jobim para, aí sim, inspirado na musa Helô Pinheiro, fazer os versos hoje mundialmente conhecidos.

Até 2008, Wagner Homem trabalhava com tecnologia da informação. Um dos sites que ele mantinha era o oficial de Chico Buarque. Wagner só entrou para o ramo editorial quando Fernando Morais o chamou para ajudá-lo a organizar o material do livro em que ele estava trabalhando, “O Mago”, biografia de Paulo Coelho. “Acabei escrevendo por conta própria muitos capítulos daquele livro”, lembra Wagner, que acabou se tornando uma espécie de ghost writer do escritor. Terminada a empreitada, decidiu assinar sua própria obra. Unindo a paixão pela música à facilidade de contato com Chico Buarque, fez o primeiro volume da coleção Histórias de Canções.

Natural de Catanduva, no interior do Estado, e habitante da capital desde os 18 anos de idade, Wagner Homem declara gostar de morar em São Paulo. “Nunca tive vontade de sair daqui, apesar de 90% dos meus ídolos musicais serem cariocas”, comenta. Sobre projetos futuros, o autor já tem planos de aumentar a coleção. “Quero escrever sobre as canções de Vinícius de Moraes”, revela. Mas não descarta a possibilidade de desvendar a música do paulistaníssimo Adoniran Barbosa.

(com colaboração e foto de Júlia Bezerra/Divulgação)

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