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A portuguesa Teresa Pires Morgado está completando 50 anos de Brasil. Ela veio para cá aos 14 anos e, desde então, só voltou para a terra natal algumas vezes a passeio. Mesmo assim, ela ainda não perdeu o sotaque. Talvez seja porque ela vive a cultura de seu país 24 horas por dia. “Eu me sinto em Portugal o dia inteiro”, confirma ela, que nasceu na vila Sendim, na região de Alto Trás-os-Montes. Durante o dia, Teresa trabalha em um banco português, na Vila Olímpia. Depois, segue para o restaurante Taberna Cais do Porto, que fica dentro do estádio da Portuguesa e tem capacidade para 80 pessoas. Ela também é diretora da Casa de Portugal há 37 anos, além de ser conselheira do Centro Transmontano de Saúde e diretora do Lar da Provedoria Portugesa (entidades luso-brasileiras de filantropia).

Teresa veio de Portugal com a irmã, Glória. “A vida lá era difícil, não tinha condições de trabalhar e subir na vida”, lembra ela. Quando elas chegaram, duas outras irmãs já viviam aqui. Depois de 25 anos, os pais também se mudaram para o Brasil e a família conseguiu se reunir novamente. Teresa não tem dúvidas de que a mudança foi um bom negócio. “Adorei, o Brasil pra mim é maravilhoso.” Quando chegou, Teresa começou a trabalhar como babá. Depois, foi funcionária de uma fábrica de agendas e de uma de linhas. Quando se casou, o marido não deixou que ela continuasse trabalhando fora. Para ocupar seu tempo, ela começou a estudar pintura a óleo. Aos 58 anos, ficou viúva e decidiu voltar ao batente. Ela tem dois filhos, de 43 e 47 anos, e quatro netos.

Teresa começou com o emprego no banco, até que Glória, que administrava o Cais do Porto, convidou a irmã para fazer parte do negócio. “Quem começou foi minha irmã com mais dois artistas”, conta. “Mas eles não conseguiram tocar o negócio, artistas têm mais coisas para fazer. Ela vivia muito cansada e não estava mais a fim de administrar”.  Glória, que é cantora, continua trabalhando no restaurante. Às quintas, sextas e sábados, são apresentados shows de fado, e ela é uma das cantoras fixas. As apresentações contam sempre com dois ou três músicos. “Às vezes, os clientes brincam e dançam no final da noite, mas normalmente é para escutar”, afirma a portuguesa. A tradição já acontece há 15 anos, desde a inauguração do restaurante. “É programada para a divulgação da música e da comida portuguesa. Não é um restaurante como os outros, é uma outra proposta. É um restaurante de evocação da cultura portuguesa”, orgulha-se Teresa. O prato mais pedido da casa é o Bacalhau à Portuguesa, cozido e acompanhado de ovos, grão de bico, brócolis e azeitona.

Quando não está trabalhando, o que Teresa mais gosta de fazer é pintar quadros de paisagem e natureza morta. O Cais do Porto tem cinco telas feitas por ela. Além disso, toda segunda-feira, ela dedica suas tardes para ensinar mulheres da terceira idade a pintar.  A portuguesa chega em casa por volta das 2h da madrugada, e sai para trabalhar às 9h.  “Cansada eu fico, mas vou fazer o quê?”, confessa. “Mas é a vida que eu gosto de levar.”

Serviço:
Taberna Cais do Porto – R. Comendador Nestor Pereira, 33, Pari, 3228-2627. Shows de fado, 5ª, 22h/0h, 6ª e sáb., 22h/2h. Couv. art.: R$ 10. Somente com reserva.

(Com colaboração de Karina Trevizan)

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