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O livro “São Paulo – Cada um conta sua história”, da fotógrafa catarinense Giovanna Nucci, será lançado amanhã no Museu da Casa Brasileira. O trabalho tem 245 páginas que reúnem cerca de 180 fotos da cidade de São Paulo. Há páginas sem texto ao lado das fotos para que cada pessoa conte sua história sobre o local. Giovanna conta que percorreu 2 mil quilômetros pela cidade – a pé e de carro – nos últimos 5 anos. Fez um total de 20 mil fotos. Em entrevista ao Blog do Curiocidade, ela conta os bastidores dessa  jornada:

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Para percorrer esses 2 mil quilômetros, você gastou mais combustível ou mais sola de sapato?
Não sei ao certo, mas acho que gastei mais sapato. Teve um tênis que ficou bem acabado. Vai soltando aquela borrachinha, foi esfarelando pela casa. Gastei um ou dois pares. Mas, na verdade, não fiquei contabilizando.

Você teve algum problema nos pés por andar tanto?
Não, mas faço Pilates e RPG até hoje por causa da coluna. Eu subia no teto solar do carro para conseguir o ângulo que queria. Fazia fotos em pé com o carro andando. Só sei que deu problema na coluna. Mas isso acho que todos os fotógrafos têm.

Seu  equipamento era muito pesado? 
Eu fiz fotos com várias câmeras diferentes, até com celular. Com equipamento pequeno você consegue fazer. Mas, às vezes, eu apontava a câmera profissional para algum lugar e vinha um segurança dizer que não podia. Aí eu voltava com uma câmera menor, mas com resolução boa, e dava certo. Eu já cheguei a ir em um parque e um segurança falou: “A senhora não pode portar esse material aqui”. São Paulo é toda proibida.

Você não tinha medo de ficar andando com o equipamento para cima e para baixo?
Claro. Mulher, sozinha, com uma câmera profissional… É impossível. Às vezes, eu ia com um segurança. Mas a  câmera tinha seguro. Se acontecesse alguma coisa, eu estava pronta para entregá-la. Só pediria o cartão com as fotos. O medo começava a surgir quando a câmera estava muito carregada. Uma vez eu cismei de andar de ônibus e de metrô para fotografar. Tinha que carregar o equipamento e estava sem o segurança. Convenci o meu irmão, Vidal, que é um armário, a ir comigo. Ele mora em Florianópolis, mas estava aqui passeando. Eu falei: “Você não gostaria de conhecer a cidade?”

Mesmo assim, você chegou a ser assaltada alguma vez?
Sim, duas vezes. Saindo do estúdio, um motoqueiro subiu na calçada e levou meu celular. Quinze dias depois, estava comendo em uma padaria com uma assistente e um cara me assaltou de novo. Pensei em desistir do projeto. Achei que São Paulo não era tão viável quando eu pensava. Achava que São Paulo era muito parecida com Nova York, mas não é. Os dois assaltos tiraram um pouco do meu romantismo com a cidade. Por não ser de São Paulo, achava que o paulistano pegava um pouco pesado com a cidade. Mas não. Falta policiamento mesmo. Algum tempo depois, eu me recuperei e reatei com São Paulo. É um lugar muito interessante.

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Serviço:
“São Paulo – Cada um conta sua história”, Giovanna Nucci
Lançamento – 18/10/2011, 19h30
Museu da Casa Brasileira (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705, 3032-3727)

(Com colaboração de Karina Trevizan e fotos de divulgação)

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