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(Se você mora no Chile, essa reportagem contém spoilers)

Ele lembra exatamente a data. Foi no último dia 5 de julho. O chef Jaqueson Dichoff, da Pizzaria Vituccio, no bairro de Vila Ipojuca, em São Paulo, recebeu um e-mail da jornalista chilena Pilar Campusano com um convite: participar de um programa do Canal 13, um dos mais tradicionais do Chile, que iria escolher “a melhor pizza margherita do mundo”. Chamado de “Semplicemente Pizza” (“Simplesmente Pizza” em italiano), o formato tem a ousada pretensão de dar uma volta ao mundo a bordo de um dos alimentos mais apreciados do planeta. Só em São Paulo calcula-se que são consumidas 1 milhão de pizzas diariamente. Paulistano de nascimento, mas descendente de italianos, Jaqueson recebia ali a resposta pela coragem que teve oito anos atrás, quando largou uma carreira já sólida como publicitário para se dedicar a sua grande paixão: “Sempre cozinhei para todo mundo”, afirma. “Morei em Nápoles por um tempo, sou apaixonado por pizza. Meu maior arrependimento é não ter tomado essa decisão antes”.

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Jaqueson Dichoff circula pela Vituccio durante gravação do programa “Semplicemente Pizza”

Cliente da Vituccio durante a grande maioria dos seus 36 anos, ele havia tentado trabalhar lá duas vezes: “O Vito Coluccio, que fundou a casa em 1982, dizia que não daria certo um italiano trabalhando com outro italiano”, relembra. Até que, em 2013, já dono de uma pizzaria em Ubatuba, no litoral norte paulista, Jaqueson recebeu um telefonema do próprio Vito, que revelou o desejo de se aposentar e passar a Vituccio para ele. “Tentei me unir a alguns amigos em São Paulo, mas não deu certo”, lembra. “Aí fui para Recife, encontrei dois amigos que ficaram apaixonados pelo lugar e ‘botaram a cara’ junto comigo. Mantivemos o padrão até o final daquele ano, quando fechamos para a reforma. Então, ao reabrirmos, passamos a seguir a tradição napolitana da massa fina e do recheio. Considero Nápoles o lugar da evolução da pizza”.

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A tradição napolitana, por sinal, foi o fator número 1 para que a equipe do “Semplicemente Pizza” pudesse escolher os melhores. Depois de selecionadas as “capitais da pizza” – Nápoles, Barcelona, Nova York, Santiago, Buenos Aires e São Paulo – os chilenos foram até o moinho mais antigo da Europa, o Aguggiaro e Figna, de onde sai a farinha Le Cinco Stagione, referência para quem quer fazer uma boa pizza napolitana. A partir dessa pesquisa, a produção do Canal 13 selecionou uma lista de estabelecimentos em cada uma das cidades – em São Paulo, foram seis. Escolheram as três melhores histórias nas seis “capitais”, resultando em 18 pizzarias semifinalistas.

A partir daí, foram dois meses viajando pelo mundo em busca da pizza perfeita. Na maior cidade do Brasil, além da Vituccio, concorreram a Casale di Pizza e a Fior di Grano, ambas em Moema. “No primeiro dia, eles vieram para conhecer a história, quiseram saber de tudo”, ri Jaqueson. “Depois, no segundo, fomos passear com eles. O programa também vai mostrar a cidade. Eu escolhi o Mercado Municipal, onde eles conheceram o meu fornecedor de mussarela. Também teve um lado turístico: fui com eles a um jogo do Palmeiras”, conta Jaqueson. “Só no terceiro dia de gravação é que experimentaram a pizza”.

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Terminadas as avaliações, a equipe, formada por cinco pessoas, ficou quatro dias sem dar notícia. “Foi aí que eles voltaram para me dizer que eu havia sido o escolhido para a final”, relembra o vencedor. Jaqueson Dicheff estava, então, classificado para a grande final, onde disputará com os vencedores das cinco outras cidades o título de melhor pizza margherita do mundo. As provas acontecerão em um festival homônimo ao programa que desde o dia 22 de outubro faz parte da programação do Canal 13 aos sábados. Exibida às 23h30 e com uma hora de duração, a disputa tem oscilado entre 7 e 8 pontos de audiência.

Cada cidade ganhou um episódio apresentado pelo músico Jean Philippe-Cretton, que deixou o posto de jurado do “The Voice” chileno, para comandar o projeto. Ele já havia tido uma experiência como apresentador no programas de viagem  “Chile Extremo”, onde levava personalidades locais a lugares bem inóspitos. O episódio de estreia foi em Nápoles, onde ele conheceu as maiores e mais importantes tradições envolvendo a pizza e escolheu a margherita de Giovanni Improta. Nas semanas seguintes, o programa classificou também Luigi Castravelli (Barcelona) e  Pasquale Cozzolino (Nova York).

Neste sábado, dia 12, será mostrado o episódio de São Paulo, onde o público chileno será apresentado a Jaqueson Dicheff. Como a ideia é que os telespectadores conheçam e criem intimidade com os concorrentes, ele já sabe quais serão suas credenciais: “Tento acompanhar o movimento dos últimos anos, que é o de fazer a massa mais leve, como se faz em Nápoles”, explica. “Aquela pizza que você come e vai dormir sem que ela fique ‘conversando’ com você. Além disso, quero que o cliente se sinta sempre em casa. Minha equipe toda sabe fazer as pizzas porque eu vou de mesa em mesa. A equipe, aliás, é quem vai segurar as pontas enquanto o chefe estiver em Santiago para a finalíssima. Ele embarca no próximo dia 16.

O aperto de mãos entre Jaqueson e o apresentador Jean Felipe Cretton

O Jaqueson serve o apresentador Jean Felipe-Cretton: passaporte para a finalíssima

Nas próximas semanas, nos programas dos dias 19 e 26, serão revelados aos chilenos os vencedores de Buenos Aires (Maurizio de Rosa) e Santiago (Rafaelle Medaglia). Antes mesmo do último episódio dessa etapa ser exibido, os seis finalistas já estarão na capital chilena para a etapa decisiva, que será realizada do dia 24 ao dia 27 e exibida ao público no sábado seguinte, 2 de dezembro. Segundo o representante brasileiro, não há a expectativa por recompensas financeiras em caso de sucesso: “Pelo menos por enquanto não foi falado nada sobre premiação em dinheiro. Apenas sabemos que teremos as despesas pagas pelo Canal 13”. De todos os finalistas, ele é o único que não nasceu em Nápoles e garante estar tranquilo para a decisão. “Eu vou lá para me divertir. Não vim de uma família de pizzaiolos, mas procuro aprender sempre. Já sou o melhor não napolitano do mundo!”, brinca.

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